Nesta obra em que faz uma primeira síntese de uma década de estudos do cordel, Paulo Teixeira Iumatti reflete de modo profundo e original sobre os usos do Marco tópica e gênero da cantoria e da literatura de folhetos brasileira entre e . A escolha desse período-chave permite ao autor flagrar as nefastas heranças do escravismo ganham forma naquele momento de grande transformação do país.
A originalidade da obra se deve em grande medida à identificação do Marco espaço privilegiado para se as acirradas disputas pela memória na sociedade à época, sobretudo pelo fato de o Marco, por seu caráter monumentalizante, mobilizar conceitos estruturantes para a sociedade escravista, domínio, território, propriedade e liberdade.
Outra grande contribuição do trabalho é que ele tem objeto central os Marcos e desafios de autores afrodescendentes praticamente desconhecidos, notadamente Severino Perigo e Joaquim Sem Fim, cujas obras sobreviveram em versões registradas por folcloristas Leonardo Mota e Francisco das Chagas Batista.
Em sua aguda reflexão Paulo Teixeira Iumatti não perde de vista em momento algum as tensões que atravessam as relações folclorista/informante, nem tampouco a multiplicidade de práticas de ordem objetiva e subjetiva ali envolvidas. E o faz de tal modo que nos permite escutar essas vozes tantas vezes silenciadas.
Álvaro Silveira Faleiros
Professor do Departamento
de Letras Modernas da
Universidade de São Paulo.
#Autor: Paulo Iumatti
#Páginas: 248
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020