O mundo ameríndio é o da sociabilidade; nada está excluído a priori do tecido social, há sempre uma latência de laço. Em oposição, o neoliberalismo produz cada vez menos laços, ou até mesmo os desfaz. O perspectivismo está sempre a (re)fazer os laços, alocar sujeitos em posições distintas, sempre preservando alguma forma de relação, ainda que indeterminada e contingente. Talvez haja algo aí para ser escutado, uma mensagem invertida que nos é devolvida. Há um aforisma ameríndio — bem ao gosto de Lacan, imaginamos — que afirma: “O xamã não sonha sobre si ou para si, mas sonha sobre todos e para todos”. O sujeito neoliberal, contudo, parece sonhar de outra maneira.
#Autor: Luiz Alberto De Souza Junior
#Páginas: 132
#Ano: 2024