A autora desenvolve um jogo de espelhos idiomático, pois constrói os poemas a partir do bilinguismo (espanhol-português), para constatar que não há um sentido unívoco para nomear as coisas. Duas línguas românicas que atravessam distintos tempos e geografias, até o estranhamento do trânsito. Esther Blanco entrelaça cartografias que miram o mundo “como um mapa em relevo” desde o movimento ou as alturas (avião, costa, janela). Parte de uma contemplação profunda da natureza para transmitir sua beleza efêmera e os ciclos da vida, simbolizados na libélula vermelha boiando sobre o rio da existência. Assim, a escrita não deixa de ser um processo de desaprendizagem que nos permite registrar a lentidão dos dias, o tempo habitado.
A poesia de Esther Blanco, além de recriar magistralmente atmosferas, dialoga com as artes plásticas. Desde o predomínio de tons azuis (oceanos, rios, céus), há poemas que se aproximam da aquarela paisagística e outra série de textos na qual a fotografia trata de responder aos enigmas do instante efêmero do retrato. Com um tom reflexivo, a poeta aborda temas como a memória, o luto, os vínculos familiares. “Algo invisível retrata na foto seu eixo vacilante” e deixa um rastro de nostalgia por um tempo que se torna suspenso e, como a própria poesia, parece anunciar o que virá depois.
#Autor: Blanco, Esther
#Páginas: 162
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2023