Os Adágios de Erasmo de Roterdã são uma coletânea de ditos clássicos e/ou populares pelo autor, que alcançou enorme sucesso editorial e cultural quando publicada no início do século XVI, ajudando a difundir a fama de seu autor humanista, tendo precedido por alguns anos o seu texto mais famoso, o Elogio da Loucura. Esta edição é uma pequena seleção de alguns deles (101 adágios dos mais de quatro mil da última edição lançada durante a vida do autor) organizada e traduzida pelo filósofo Newton Cunha.
Os de Erasmo são voltados para o bom senso e a ética muito mais do que para uma simples exibição de erudição.
QUARTA-CAPA
Lançado em , os adágios de Erasmo de Roterdã se transformaram em um sucesso instantâneo, em parte porque na Renascença ser versado na cultura greco-latina dava status. No entanto, o que o seu autor pretendia era bem diferente: para um humanista convicto ele, esses ditos trazidos pela primeira vez pelos autores clássicos eram veículos de uma sabedoria imemorial sendo, portanto, adequados para transmiti-la e expandir o pensamento crítico.
Os adágios recolhidos e de Erasmo, dos quais oferecemos pequena amostra, nos sugerem uma reflexão serena e talentosa sobre o agir humano.
Fonte:
ERASMO DE ROTERDÃ
Nascido por volta de outubro de ou , Desiderius Erasmus era filho de pais que não eram legalmente casados, uma vez que seu pai, Gerard, era um padre católico e sua mãe, Margaretha Rogerius, provavelmente uma viúva. Apesar dessa condição estigmatizante, ele e seu irmão Peter cresceram em um lar afetuoso e receberam a melhor educação disponível, até que ambos os pais morreram na epidemia de peste bubônica de .
Orfãos e empobrecidos, ele e seu meio irmão mais velho foram acolhidos por uma viúva, Berthe de Heyden, em , antes de serem forçados pelas circunstâncias a seguir a vida monástica. Foram anos difíceis em que Erasmo foi sucessivamente cônego, escriturário, padre, estudante universitário falido e adoentado, aspirante a poeta e finalmente tutor. No início da idade adulta desenvolveu o que ele definiu fervidos amores com um colega cônego, Servatius Rogerus. A despeito disso, Erasmo nunca recebeu nenhuma acusação com relação ao seu sexual.
Após seu contato em com um círculo reformista inglês na Universidade de Oxford, ele tornou-se amigo do jovem Thomas Moore, do franciscano radical francês Jean Vitrier, e mais tarde do editor Aldo Manúcio na Academia Aldina de língua grega em Veneza, sendo influenciado por essas amizades. São anos florescentes, mas peripatéticos, de crescente foco e produtividade literária.
Obras os Adágios, Manual do Cavaleiro Cristão (Enchiridion militis Christiani), Elogio da Loucura (Moriae e Sileni Alcibiadis, suas novas traduções do Novo Testamento, e outras, solidificaram sua reputação de erudito e humanista católico.
Em , o papa Júlio II garantiu a Erasmo a dispensa do voto de pobreza e do controle de sua ordem, mas ele permaneceu padre até o fim dos seus dias. Em , o papa Leão X reiterou esses privilégios, aduzindo que a Erasmo não se aplicaria a legislação pertinente aos “defeitos de nascimento”, que vedava a filhos ilegítimos certas posições eclesiásticas. Independente, ele ainda era um cônego, apto a ocupar cargos o de prior ou abade.
A grande polêmica na qual se envolveu foi a da Reforma e Contrarreforma. Amigo de Lutero, Erasmo travou com ele um diálogo público sobre o livre-arbítrio () e a salvação da alma, que resultou em um impasse e no afastamento pessoal. Para Erasmo, diante da graça divina, o ser humano tem a liberdade de escolha, para Lutero, o livre-arbítrio é uma ilusão e o ser humano é incapaz de chegar a Deus por si mesmo, apenas a graça divina pode salvá-lo. Assim, à advertência de Erasmo de que a tradução da Bíblia para os idiomas vernáculos faria com que cada leitor entendesse o que bem quisesse, Lutero respondeu que os sentidos fundamentais se autoevidenciariam com a ajuda do Espírito Santo.
Em seus últimos anos, levando uma vida estável na Floresta Negra, ele foi reconhecido um grande influenciador do pensamento europeu, tanto pela sua tradução para o latim do Novo Testamento (que ironicamente serviu de base para as traduções protestantes), pela sua crescente oposição ao luteranismo.
Fonte:
COLEÇÃO ELOS
A coleção Elos nasceu para abrigar textos mais curtos que tenham relevância acadêmica, abrangendo qualquer campo do conhecimento.
DA CAPA
Imagem da capa: Retrato de Erasmode Roterdã, por Hans Holbein, o Jovem, .
#Autor: Erasmo de Roterdã, Newton Cunha
#Páginas: 144
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2024