Livro A chamada

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No final dos anos , a argentina Silvia Labayru era uma adolescente tímida, leitora e filha de um membro da Força Aérea e piloto civil. Foi nessa época que ingressou no Colégio Nacional Buenos Aires, uma instituição pública de grande prestígio, responsável pela formação da elite portenha. Ali, teria contato com grupos estudantis de esquerda, tornando-se uma militante aguerrida.

Em março de , ocorreu na Argentina um golpe de Estado que deu início a uma feroz e sangrenta ditadura militar. Nessa época, grávida de cinco meses e com vinte anos, Labayru já fazia parte da organização Montoneros, grupo armado de origem peronista. Em dezembro daquele ano, foi sequestrada por militares e levada à esma, a famigerada Escola de Mecânica da Armada, onde funcionava um centro clandestino de detenção no qual milhares de pessoas foram torturadas e assassinadas, um lugar que ainda hoje assombra a memória civil argentina. Lá, deu à luz sua filha, que, uma semana depois, foi entregue aos avós paternos.

Na esma, Labayru foi torturada, obrigada a realizar trabalho escravo, violentada repetidamente e forçada a representar o papel de irmã de Alfredo Astiz, um membro do exército que se infiltrou na organização Madres de Plaza de Mayo. Essa operação resultou no desaparecimento de três Mães da Praça de Maio e duas freiras francesas.

Foi libertada em junho de e, no avião rumo a Madri, junto com a filha de um ano e meio, pensou que o inferno tinha acabado. Mas haveria mais dissabores. Os argentinos no exílio a repudiaram, acusando-a de traição devido ao desaparecimento das mulheres ligadas às Mães da Praça de Maio. Rejeitada por aqueles que haviam sido seus de militância, construiu uma vida. Até que, em , foi contatada em Buenos Aires por um homem que havia sido seu nos anos e, em uma sequência de manipulações familiares que alteraram seu destino, passou a se desenrolar uma história que continua até hoje.

A jornalista Leila Guerriero a entrevistá-la em , enquanto aguardava-se a sentença do primeiro julgamento por crimes de violência sexual contra mulheres sequestradas durante a ditadura, no qual Labayru era denunciante. Este é o retrato de uma mulher com uma história na qual se entrelaçam amor, sexo, violência, família, infidelidade, política — e na qual ressoa uma chamada telefônica feita da esma em 14 de março de , que lhe salvaria a vida.

#Autor: Leila Guerriero, Silvia Massimini, Elisa V. Randow (Capista)
#Páginas: 464
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025

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