A CONFISSÃO DE LÚCIO, a mais elaborada narrativa de um dos maiores nomes do Modernismo português, considerada pela crítica a obra-prima dentre as suas novelas, foi publicada pelo poeta Mário de Sá-Carneiro () em , um ano antes do surgimento do primeiro número da revista "Orpheu". Ao incitar as personagens na busca de uma transcendência distorcida, Sá-Carneiro cria uma atmosfera de exacerbado lirismo. (...) Apresentado sob a forma de uma retrospectiva confessional, um romance policial de mistério a novela inicia-se com uma breve introdução, na qual o narrador, Lúcio, justifica o seu objetivo: confessar-se inocente após dez anos de prisão a que fora condenado pelo assassínio de um amigo. O narrador promete toda a verdade, mesmo que inverossímil, sobre essa morte ocorrida em circunstâncias misteriosas, mas considerada judicialmente um crime passional. Porém, será o encarceramento realmente a condenação a uma pena de prisão ou simplesmente um internamento psiquiátrico. Não sendo, portanto, uma narração de toda fiel, todo o relato, apresentado em detalhes ambíguos, acaba por revelar-se uma questão de fundo a ser determinada pelo leitor: trata-se dum depoimento real ou simplesmente uma fantasia alucinada? Por ser um texto constituído por um realismo fantástico e de vanguarda, já que Mário de Sá-Carneiro empenhou-se na busca de novos significantes em uma ruptura com o modelo centrado no código princípio-meio-fim, A CONFISSÃO DE LÚCIO continua aberta a novos e amplos estudos e interpretações.
#Autor: Sa-Carneiro, Mario De
#Páginas: 247
#Encadernação: Capa Dura
#Ano: 2019