Para Lúcio Cardoso, em toda obra de Clarice Lispector alguma coisa íntima está queimando. E este é o seu segredo de mulher e escritora. Em A maçã no escuro esta chama queima pacientemente enquanto se narra a trajetória de um homem. Um homem, um crime, uma fuga. Como se fosse possível retroceder os ponteiros do relógio, zerar o tempo marcado e, então, outra vez. Martim, um fugitivo, a se reinventar, a manufaturar o próprio destino: "Ele se tornou o centro do grande círculo e o arbitrário de um caminho." A maçã no escuro é um romance dos anos . Realizado durante o tempo em que a autora viveu nos Estados Unidos, foi concluído em Washington, em . Mas só seria publicado em , um ano depois de Laços de família, cujos contos primorosos conquistaram um expressivo público para Clarice Lispector. Os dois livros foram escritos simultaneamente e selam o amadurecimento da escritora. Situado entre obras decisivas do percurso literário de Clarice, A maçã no escuro fulgura um romance denso e habitado por personagens mas que eleva o enredo a níveis impensáveis de transcendência. Embrionárias estão as questões centrais que vão eclodir em A paixão segundo G.H., depois do qual o romance brasileiro jamais será o mesmo. Clarice inaugura uma outra linha de tradição literária, porque desestabiliza as estruturas romanescas e cria parâmetros totalmente inovadores de representação. — LÚCIA HELENA VIANNA, Doutora em Letras, professora adjunta de Literatura Brasileira, pesquisadora do CNPq
#Autor: Lispector, Clarice; (Epílogo) Oliveira, Rosiska Darcy de
#Páginas: 400
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020