O que pode um corpo senão em uma dan_x_ça com a linguagem tentar expandir seus limi_x_tes até o mundo? O que pode um corpo senão sonhar com o tempo e retirar destes sonhos o pólen do poema? O que pode um corpo senão se transformar em um coro de vozes reencon_x_tradas de coisas, seres e lugares? Um corpo existe para o encontro com ou_x_tros corpos, para essa costura de interioridades. Aqui um corpo costura em si o poema ou o oposto? Daniela Athuil propõe um pacto com a sen_x_sibilidade em uma escrita que escava o fluxo da memória em busca do fluir da vida que vive secretamente dentro das paisagens de sonho e névoa que nos escapam. Um pacto com a har_x_monia heraclitiana que ama se esconder, um pac_x_to com a harmonia é também um com a e os poemas de Daniela são acessíveis até para os que não pos_x_suem o hábito de ler poesia. Algumas poetas e poetas possuem este delicado dom de serem regiões de acesso ao poema. Esta é a meu ver a principal demanda de uma época trágica e fra_x_turada a nossa. O que pode um corpo vivo senão ser ele mesmo o cerne do poema?
Marcelo Arie
#Autor: Daniela Athuil, Filipe Moreau
#Páginas: 56
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021