“Só para lembrar: Manuel Bandeira nasceu em , Oswald de Andrade em , Guilherme de Almeida em, Ronald de Carvalho em , Mário de Andrade, em , Jorge de Lima, em , Ascenso Ferreira em , Cassiano Ricardo em , Raul Bopp em , Cecília Meireles em , Murilo Mendes, em , Carlos Drummond de Andrade em . Em quase todos podem-se rastrear recordações não raro nostálgicas de textos abrigados por Carlos de Laet na Antologia Nacional [[durante a República Velha foi o livro de leitura mais adotado em nossos melhores ginásios públicos]: poemas e narrativas que se fixaram na sua memória e acenderam a sua imaginaçao de adolescentes desde cedo movidos pela paixão da palavra artística.” [d A Alfredo Bosi, do PrefácioE os jovens de hoje não estariam interessados numa Antologia organizada a partir de antologias, que vem justamente para resgatar aqueles poemas memorizados por gerações, temporariamente esquecidos pelos rumos que a escola tomou a partir dos anos 70? Algumas experiências na contracorrente mostram que os teens (não somente eles) continuam interessados. Pais e avós muitas vezes procuram para filhos e netos os poemas que aprenderam de cor, “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu, “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, os mais notáveis poetas que antecederam o Modernismo e os próprios modernos acima citados, todos aqueles que mais freqüentaram antologias, por valor literário ou mérito cultural.Para o Natal e para depois do Natal, encontram-se emoldurados para presente aqueles poetas e seus versos, desde a época colonial, para deleite de quem recitava: “Ora, direis, ouvir estrelas...”, “Hão de chorar por ela os cinamomos,”, “Minha terra tem palmeiras”, “Vou-me embora para Pasárgada”... Tantos, tantos poemas. Reunir novamente esse repertório que inclui tradição e modernidade atende não somente às gerações que “alcançaram a “etapa feliz de nossos estudos de Letras” e àquele público nascido da “indústria cultural dos anos 70 [que] até hoje minou fundo essa plataforma de modernidade lúcida construída naquela conjunção propícia”. Salvo honrosas exceções. “Dançando ao ritmo do mercado, que precisa do efêmero para crescer, o antologista pós-moderno tem o destino que merece: tudo o que faz é descartável”, nos ilumina o prefaciador Alfredo Bosi. Antologia de Antologias não é livro descartável, nem passa pelo estreito saudosismo. Conhecer o precedente é caminho para se chegar à vanguarda. Há um cânon necessário de poetas brasileiros – que este livro não esgota – feito para figurar definitivamente na estante dos leitores de todas as idades. Ter a literatura na memória.
#Autor: Bellodi, Zina; Aquino, Zelia Thomaz De; Goncalves
#Páginas: 544
#Encadernação: Brochura
#Ano: 1995