Arquitetura e trabalho livre II: de Brasília aos mutirões continua a série que reúne escritos de Sérgio Ferro, arquiteto, pintor e professor da FAU-USP (-70) e da École Nationale Supérieure d’Architecture de Grenoble (), iniciada com Arquitetura e trabalho livre I: O canteiro e o desenho e seus desdobramentos.
Ainda nos primeiros anos de faculdade, Sérgio Ferro juntava-se a Flávio Império e Rodrigo Lefèvre, aqui presentes em belas evocações, para atuarem em conjunto na torrente de agitações da década de . Conhecido hoje grupo Arquitetura Nova, suas inquietações surgiram durante o desenvolvimentismo de JK, sobretudo da contradição entre, de um lado, a placidez do traçado urbano e dos edifícios que despontavam em Brasília, e de outro, as degradantes condições de trabalho em seus canteiros. Daí decorreu uma postura crítica em relação aos arquitetos ligados ao PCB — Niemeyer e Artigas à frente. Em paralelo, a reflexão ganhou têmpera com as leituras de Marx e O capital junto a outros jovens professores da USP, ponto alto das ciências sociais brasileiras.
A Arquitetura Nova não confinou suas ideias no papel, alcançando uma franca ida e volta entre teoria e prática, inicialmente com o projeto de casas para colegas e amigos, depois em breves experiências na faculdade de arquitetura de Santos e na construção de escolas pelo interior paulista. Na fórmula, um projeto de baixo custo, aberto à invenção no canteiro, onde predominava o respeito pelo saber e pela saúde do trabalhador. Logo abreviadas com o recrudescimento da repressão política em , essas iniciativas renasceram entre e , nos mutirões habitacionais realizados durante a gestão municipal de Luiza Erundina em São Paulo.
Completam os onze ensaios deste volume uma apresentação de Pedro Fiori Arantes, organizador da série, e uma “Saudação a Sérgio Ferro” assinada por Roberto Schwarz, amigo de juventude do autor e na renovação do marxismo realizada por sua geração.
#Autor: Sérgio Ferro, Pedro Fiori Arantes, Roberto Schwarz
#Páginas: 216
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025