A leitura das crônicas que Maria Amália Vaz de Carvalho publicou no matutino carioca O Paiz, entre e , permite regressar ao convívio de uma escritora portuguesa que uniu interesses muito variados e uma visão culta às grandes questões da atualidade, nomeadamente aquelas que tocavam o estatuto da mulher, acidulado pelas ideias modernas de emancipação e democracia.
Como Atravessando Fronteiras: Maria Amália Vaz de Carvalho e a Condição Feminina bem esclarece, os escritos jornalísticos da literata portuguesa manifestam a tensão própria da passagem dos costumes tradicionais, que não enjeita, para o seu debate no novo espaço público, com as distâncias encurtadas pela velocidade a vapor, a rotina elidida pelo telégrafo, a pólis tecida por periódicos e o foro atingido pelas novidades que aproximaram europeus e americanos.
Se a singeleza na interpretação de qualquer documento prima pela credulidade, as autoras, especialistas na circulação das letras, recordam, só a problematização historiográfica, que exercitam metodicamente, faculta a e a fruição da eloquência da palavra feminina então publicada.
Além de fundamental, este é um estudo particularmente pertinente, já que converge com os resultados do projeto, é preciso falar sobre as ausentes: a colaboração feminina no jornal O Paiz, resultante de parceria acadêmica entre a University College London (UCL), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). A pesquisa reuniu crônicas de quatro colaboradoras do cotidiano, entre as quais as de Maria Amália Vaz de Carvalho, cuja colaboração no jornal brasileiro é analisada no presente volume.
[Professor Doutor Luís Manuel Crespo de Andrade - Universidade Nova de Lisboa]
#Autor: Ana Cláudia Suriani Da Silva
#Páginas: 168
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2026