Livro Baile de máscaras: odiário da peste

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Baile de máscaras: Odiário da peste continua a experiência crítica através da expressão poética de pensar o momento presente que se vive e o país, contra o estado de coisas a que estamos submetidos. Sincronicamente, essa reflexão se situa nos dois anos da pandemia de covid, , chegando até o primeiro semestre de , dois anos e meio do desgoverno do Recruta Zero, ironiza o autor. Quanto a esse período, este livro se soma a In Fuck We Trust, de , que contém poemas sobre o primeiro ano de desgoverno e a farsa da Lava Jato, antecedido, por sua vez, pelo livro Gambiarra – Uma pinguela para o futuro do pretérito (), que reflete sobre o golpe de estado aplicado em Dilma e o mandato tampax do golpista Temer, indo até a prisão de Lula. Reafirmando que o escritor está sempre na corda bamba sobre o abismo do enfrentamento, o autor reitera a ideia de antagonismo crítico, presente também em livros Contrapoéticas () e Espantalhos (), de ensaios, ou nos livros de poemas Os mortos na sala de jantar (), entre outros, investindo contra a prática de um lirismo metafísico que resta apenas condoído e poemas que sugere “brincantes entre a ética e a dialética, afinados por uma antitética” que primam pela reflexão irônica ácida. Assim, de poema em poema, Demarchi passa pelo cenário de guerra e destruição em que está o país, descrevendo-o com senso de humor cortante com temas sugestivos “Baile de máscaras opacas”, que ironiza tanto o dos brasileiros na pandemia quanto o mascaramento cínico da política instalada no país. “Velório plácido retumbante”, outro conjunto de poemas do livro, faz o registro do definhamento dos valores éticos e políticos, assim “Odiário de notícias”, num outro viés, percorre uma espécie de noticiário dos acontecimentos mais aberradores; “Secreções do confinamento” registram os disparates individuados das pessoas submetidas à barbárie, assim “Necrocracia burlesca” faz o desfile da mortandade uma ideologia aplicada para a destruição em tom de espetáculo. A última parte do livro, “Féretro da mãe gentil”, encena o enterro simbólico de uma ideia de nação que está em execução no país. Ainda que se referindo ao momento presente, tão recente, a sensação, quando se lê, é de que tudo envelhece muito rápido e o tempo passou célere apesar do período tão curto em que foca. Assim, o leitor, além de rememorar o insólito, passa pelos poemas, agora não mais um vivente do que se descreve, mas um espectador desse espetáculo que tem sido a encenação da barbárie e da destruição de um país e do que ele poderia ter sido. É de se perguntar: onde estaria o otimismo do autor para superar essa desolação? Aparentemente encontramos apenas o ceticismo modo operante e, se existe, está no fato de que continua escrevendo e publicando uma forma de resistência e de luta, pois um dos poemas é incisivo em sua mensagem quanto ao que se pode esperar: “MENSAGEM À NAÇÃO – abandonai ó vós que aqui estais/ toda a esperança e seus vãos ais”. Resta ao leitor, enquanto as urnas não chegam, agir se votasse reiteradamente lendo cada poema um voto contra a barbárie.

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#Autor: Ademir Demarchi
#Páginas: 148
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022

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