Pela primeira vez, os leitores vão ter acesso a um box com obras inéditas do casal mais influente da literatura brasileira no início do século XX. Júlia Lopes de Almeida e Filinto de Almeida, conhecidos o casal Julinto, foram os idealizadores e fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Pela bela casa onde moravam em Santa Teresa passaram alguns dos nomes mais importantes da literatura brasileira. Seus saraus eram disputados por nomes Aluízio Azevedo, Machado de Assis, Olavo Bilac, Valentim Magalhães, Artur Azevedo, Lúcio de Mendonça e outros notáveis que foram os primeiros membros da ABL.
Nesse box dos 160 anos de nascimento de Júlia você receberá três obras fundamentais do casal: o livro de contos “Ânsia Eterna”, de Júlia Lopes de Almeida, o romance de suspense “A casa Verde”, do casal Julinto, e a homenagem “Dona Júlia”, livro com os poemas reunidos que Filinto escreveu para a sua musa durante os quase 50 anos em que estiveram juntos e publicou numa tiragem limitada apenas para amigos.
Júlia foi a autora mais vendida no Brasil até seu falecimento em por malária, voltando de uma viagem à África. Sua extensa obra de mais de 40 volumes vendeu milhões de exemplares no do século XX, sendo adotada por escolas e por leitores ávidos pela sua próxima novidade. Junto com Coelho Neto, Júlia foi a autora mais vendida do Brasil no do século XX. Júlia era admirada e citada por algumas das principais escritoras brasileiras que lhe seguiram, Cecília Meirelles e Rachel de Queiroz, esta a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras.
Filinto de Almeida nasceu no Porto e foi um dos mais importantes jornalistas brasileiros, além de um grande poeta e dramaturgo. Trabalhou em alguns dos principais órgãos da imprensa da época e foi o diretor mais importante do Jornal Província de São Paulo, hoje conhecido Estadão. Foi naturalizado brasileiro pelas leis da época, o que lhe permitiu ser o primeiro membro da ABL não nascido no Brasil.
Júlia a escrever cedo em Campinas, para onde seu pai, o visconde português Valentim José da Silveira Lopes, se fixou para trabalhar médico, diagnosticando a febre amarela na cidade. Mudou-se para o Rio de Janeiro em , criando forte polêmica por ter sido o primeiro a diagnosticar a febre amarela na capital do Brasil, à época.
Em Campinas, o pai de Júlia diz que recebeu um convite para escrever uma crítica à uma peça que os dois assistiram juntos, mas que não teria tempo de o fazer, passando a demanda para a filha, que virou a noite escrevendo. Na verdade, era uma brincadeira do pai, mas Júlia se dedicou tanto que o pai acabou levando a crítica ao jornal, que não havia e nada, e a primeira crônica de Júlia foi publicada quando ela ainda tinha 19 anos.
Júlia publicou dezenas de artigos em diversos jornais durante toda a sua carreira, além de mais de 40 livros, material preservado pela família e gentilmente cedido para pesquisa e publicação para a Editora Vermelho Marinho pelo neto da autora, Cláudio Lopes de Almeida, nascido em .
Dentre essas raridades, a Vermelho Marinho oferece aos leitores o box “Júlia 160”, que abre com o livro de contos “Ânsia Eterna”, cotizado com a edição original e com observações da própria autora. Este livro fora do aborda temas surpreendentes e infelizmente até hoje, o feminicídio e violência doméstica, além de histórias insólitas e finais inesperados. Júlia estava à frente de seu tempo. Quem descobre Júlia hoje sente estar lendo uma autora contemporânea. O livro conta com mais de 300 notas explicativas.
O segundo livro é “A Casa Verde”, folhetim escrito pelo casal Julinto a quatro mãos e publicado em folhetins no Jornal do Commercio de 18 de dezembro de a 16 de março de . Em ritmo ágil e viciante, narra a história de uma sinistra casa em Niterói, habitada por um empresário inglês e sua jovem filha, que é cortejada por dois homens. Um crime irá ocorrer e o leitor ficará preso em cada capítulo tentando desvendar o final surpreendente. Este livro foi considerado por Júlia o seu preferido, tanto por ter sido escrito a quatro mãos com o amor da sua vida, mas também por trazer memórias de uma época muito feliz de sua vida. O livro tem mais de 200 notas e um glossário no final com vocábulos da língua cigana utilizada por alguns personagens do livro.
Fechando o box, temos “Dona Júlia”, livro que Filinto escreveu em homenagem a mulher juntando poemas escritos por décadas, desde a juventude, o casamento, a vida madura e a morte do amor de sua vida, ocorrida de forma precoce em , por causa da malária que ela adquiriu em uma visita à filha Lúcia na África. Filinto fez uma edição limitada apenas para amigos e os herdeiros deram autorização à Editora Vermelho Marinho para republicá-lo. Em versos, Filinto explica porque a obra não seria não são para o público estes gritos,
Estes soluços e lamentações:
O pudor da aflição veda aos aflitos
Que mostrem a alma nua às multidões.
Quando sejam com lágrimas escritos,
Sonetos, elegias ou canções,
Confinem-se nos círculos restritos
Dos íntimos e amigos corações.
A coleção tem apresentação da professora/doutora Anna Faedrich, uma das maiores pesquisadoras da obra de Júlia e da literatura de autoria feminina brasileira. “Ânsia Eterna” tem prefácio da historiadora e professora Gabriela Trevisan, autora de “A Escrita Feminista em Júlia Lopes de Almeida”, “Dona Júlia” tem prefácio do neto da autora, Cláudio Lopes de Almeida, e “A Casa Verde” tem apresentação conjunta da graduanda em letras Nathalia Kimberly e Anna Faedrich, além da crônica “Um Lar de Artistas”, escrita por João do Rio depois de sua visita ao casal na famosa casa de Santa Teresa, onde Júlia diz que “A Casa Verde” é seu livro preferido.
Comemorando os 160 anos de Júlia, é preciso reparar um erro histórico. Júlia Lopes de Almeida, apesar de idealizadora da Academia Brasileira de Letras, não recebeu uma cadeira na casa injustamente, porque a Academia seguia o modelo francês, onde só entravam homens. Filinto brincava que ela que merecia a cadeira dele. Isto é fruto da grande admiração que o casal nutria, e foi interpretado se Filinto tivesse recebido um prêmio de consolação, ocupando a cadeira que pertenceria à sua mulher. Nada mais injusto. O casal foi o mais importante e talentoso da literatura brasileira no início do século XX. Teriam bodas de ouro se Júlia não tivesse morrido. Enquanto Júlia se dividia em cuidar da casa, dos filhos e escrever, Filinto viajava e trabalhava jornalista nos principais jornais do País, o que não lhe permitia ter uma obra extensa a da mulher. Mas qualidade não se mede pela quantidade. E os leitores vão descobrir nesta edição porque Filinto era um talento à altura da maior escritora da literatura brasileira, considerada por seus contemporâneos a “Machado de Assis de saias”.
Júlia teve uma vida intensa, coroada pelo sucesso em livros de contos, romances, livros infantis, sobre flores, sobre além de peças de teatro e crônicas, sendo também abolicionista, feminista e uma mãe dedicada. Descobrir Júlia é voltar no tempo para uma época em que o mundo dominado pelos homens teve que se ajoelhar ao talento da mulher mais importante da literatura brasileira, uma pessoa mas ao mesmo tempo doce e amorosa, que estava anos à frente do seu tempo, e que era respeitada por todos os seus pares, podemos ver em fotos onde todos os grandes autores da época cercam Júlia com respeito e admiração.
#Autor: Júlia Lopes de Almeida, Filinto de Almeida, Tomaz Adour, Anna Faedrich, Gabriela Trevisan, Cláudio Lopes de Almeida, Nathalia Kimberl
#Páginas: 600
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022