Em CANTO ENFORCADO EM VENTO, o novo livro de Rodrigo Tadeu Gonçalves, o fio da faca explode em mil lacerações/ propõe agudez, o autor revela em seus poemas, lâminas/ metafísicas que buscam corporeidade e carne. São poemas que reinventam línguas. Não línguas a licença que aos poetas é dada natural mas, a palavra reinventada enquanto natureza viva em um cosmos que ele chama de LIVRO, porque torce o que antes era só potência/ e gera a nova vida do infinito. CANTO ENFORCADO EM VENTO é a liberdade do sopro dessas invenções que sabem à vida e ao movimento do ar respirações contínuas, à maneira de monólogo silencioso/ Expandindo a calma. [Inesperar Deschover. Incriar. Apavoros]. Em alguns momentos os poemas elaboram, portanto, essas invenções que provocam os sentidos da sintaxe cotidiana para propor a implosão da infinitude: simplifica tua linguagem/ a faca não é mais a metafísica/ a carne que ela corta /sabe que é mortal. E segue à procura de nomes, ou da musa que se dilui em míticas figuras da linguagem a indagar pelo e pelo fim que afinal podem iniciar e se esvair em uma ventania de um segundo. Por fim CANTO ENFORCADO EM VENTO é o desdobramento da larga experiência de Rodrigo tradutor e crítico pensador da literatura, o que não lhe impede de desdobrar-se em faca afiada, cósmica e intensa, e isso ele o faz com maestria. Assim o livro fecha-se já pleno e saciado/ já pronto em ser o templo/ do que ele mesmo mal consegue desvelar. Não existir para existir, e ora, afinal tudo é para deixar o vento levantar/ os olhos que riem/ num farfalhar de borboletas/ que ventam/ perturbando o universo em derredor.
Jussara Salazar
#Autor: Rodrigo T. Gonçalves
#Páginas: 114
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020