O texto que o leitor tem em mãos é um livro sobre livros, seus autores, seus tempos e suas circunstâncias, atento às historicidades e às durações. Composto por três unidades, o que há em é a natureza das fontes: textos impressos voltados ao público e, por isso mesmo, intervenções políticas no mundo dos vivos. Em ainda (ao autor e às suas fontes), a permanente reflexão sobre a formação brasileira sob diferentes ângulos, problemáticas e regiões.
A primeira unidade destes Capítulos de História Intelectual ocupa-se do Brasil de fins do século XIX princípio do XX, tempos de racismo científico, imigração e abolição, cujos dramas, tensões e diversidades saltam das páginas de Machado de Assis, Sílvio Romero e Euclides da Cunha.
Já a segunda unidade investe na das lutas pela memória de São Paulo, quer na historiografia quer nas artes, de fins do século XIX, até os anos , permeados por múltiplos bandeirantes que emanam da historiografia de Afonso de Taunay ou o discurso visual do Museu Paulista. Aqui aparecem ainda os sertanistas narrados pelos cronistas paulistas do século XVIII, Pedro Taques e Frei Gaspar da Madre de Deus, não por coincidência resgatados na primeira metade do século XX, quando São Paulo assumiu um protagonismo nacional que reinventou o passado colonial.
Por fim, a terceira e maior unidade do livro gira em torno de dois importantes intelectuais: o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre e o historiador britânico Charles Boxer. Em ambos gastaram parte de suas vidas para pensar e narrar o passado colonial do Brasil e do Império português. Como não é possível olhar ao passado sem afetar-se do presente, ambos ofereceram respostas muito diferentes para a questão da raça e do racismo, nas décadas de e , quando a politização do tema ocupou um lugar central no pensamento ocidental. Como que a refletir os novos tempos – de descolonização da África, dos movimentos civis protagonizados pelos negros norte-americanos, de novas intervenções intelectuais –, Freyre e Boxer, marcados pelas suas escolhas e circunstâncias, deram respostas distintas a um velho tema: a mestiçagem e o racismo.
Temas que, a sua maneira, já apareciam em Sílvio Romero e Euclides da Cunha (ou obliquamente em Machado de Assis), ou ainda em Afonso de Taunay e nos discursos bandeirantes. Como questão de fundo, sempre ele, o passado colonial, revisitado por cada novo presente.
#Autor: Alberto Luiz Schneider
#Páginas: 400
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2019