Ascenso Ferreira causou grande impacto no panorama literário brasileiro quando, em , lançou Catimbó, nas palavras de Mário de Andrade, "um dos livros mais originais do modernismo brasileiro". Cana caiana () e Xenhenhém () o panorama de uma obra poética profundamente enraizada no Nordeste, de onde extrai seu substrato, presente nas imagens, estribilhos, crendices, linguajar e na semântica sobre a qual assentam os poemas. Ao mesmo tempo, a obra de Ascenso responde a inquietações universalmente associadas aos processos de modernização. Extremamente musical, a poesia de Ascenso se alimenta da ternura e da paixão de viver. A vida, presente nos poemas em toda a sua sensualidade, naquilo que deve ser visto, saboreado, cheirado, sentido, se descortina aos olhos do leitor, convidado pelo poeta a experimentar a realidade e a fantasia, a viver o gozo da da carne e a dor da desaparição ou da morte. Por outro lado, é no espaço da poesia que Ascenso salvaguarda mundos sociais e universos culturais ameaçados de desaparecimento. É, ainda, através da poesia que Ascenso constrói sua utopia de um mundo encantado, onde o maior dos temores traveste-se do medo infantil da Cabra-Cabriola e do Pai-do-Mato. Em Ascenso Ferreira, o sujeito alcança a redenção nos fugazes momento em que a da carne permite a transfiguração.
#Autor: Ascenso Ferreira
#Páginas: 276
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2008