Eleger Claudio Antônio Guerra personagem das páginas de um livro não foi uma escolha fácil. Na verdade, o acaso pesou na decisão. Havia um material bruto, guardado, a ser exposto. Torná-lo público só virou ação quando a sua figura ganhou concretude histórica, em 31 de julho de , data em que Ministério Público Federal do Rio de Janeiro decidiu que eram "verdadeiras" as suas confissões a respeito do destino dado aos corpos de 12 “desaparecidos políticos” do período da ditadura (/).
Aliás, sempre que preciso grafar essas datas, reluto. É que no meu entender a ditadura perdurou até , quando elegemos o primeiro presidente pelo voto direto. O que marca é o fim do regime militar. O início da “transição”, que nos tirou o direito de gritar nas ruas a nossa alegria pela morte da opressão. Aqui, no Brasil, fomos digerindo a transmutação aos poucos, via Colégio Eleitoral e voto indireto. Tivesse sido aprovada na madrugada de 25 de abril de – quando foi derrotada a emenda das “Diretas Já” –, um dos mais belos movimentos cívicos da história recente, e teríamos tido um dia de júbilo, tal o dos chilenos na vitória do “NO” –, em 5 de outubro de –, que desbancou do Palácio de La Monedao ditador Augusto Pinochet.
Ao referendar e denunciar Claudio Guerra responsável por incinerar nos fornos da Usina Cambayba, em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, os que resistiram ao arbítrio, o MPF o transformou em um personagem sobre o qual valia a pena se deter e ouvir o que tinha a dizer. Não pelo que pudesse contar sob a sua ótica – soando para muitos “gabolice” –, mas pelo que podia acrescentar aos episódios obscuros do período.
Depois de ouvir testemunhas, depoimentos e observar as conclusões de uma perícia feita a pedido da Comissão Nacional da Verdade, nos fornos da usina, o Ministério achou por bem concluir que, sim, eram verdadeiras e coerentes as revelações de Guerra. Desde 31 de julho de passou a ser conveniente trazê-lo à cena […]
Denise Assis
#Autor: Denise Assis
#Páginas: 192
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020