Livro Claun: a saga dos bate-bolas

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No início do século XX, quando o Carnaval era uma festa para poucos e o Rio de Janeiro passava por grandes transformações, grupos de mascarados se reuniam pelos becos da cidade e enfrentavam a ordem pública e a repressão. Diziam ter o corpo fechado, falar com espíritos e ter poderes sobre-humanos. Eram chamados de 'clóvis' ou 'bate-bolas'.

Hoje em dia, a tradição continua viva no Rio, sobretudo nos bairros do subúrbio. Os bate-bolas habitam as ruas, disputando o imaginário da cidade. Uma gangue de arrastão poético, à margem do Carnaval convencional, e uma tradição que há anos é criminalizada pela elite carioca. Imerso nesse universo mitológico, o cineasta Felipe Bragança idealizou o projeto transmídia CLAUN, cuja primeira fase é por uma websérie e um filme-piloto, a segunda pela graphic novel e a terceira, um jogo de videogame, já está em produção.A proposta é lançar um olhar de crônica e de investigação sobre a mitologia do Rio de Janeiro e os grupos de clóvis e bate-bolas que tomam as ruas no Carnaval - chegando aos milhares de foliões. Pela primeira vez, essas figuras fascinantes que se apropriam do imaginário pop, lembra Hermano Viana, 'recebem finalmente tratamento de super-heróis'.

O projeto CLAUN a ser gestado em e teve início de fato em , quando estreou a websérie, que deu origem ao filme-piloto Os dias aventurosos de Ayana, apresentado no Festival de Rotterdam. A produção contou com a colaboração de sete turmas reais de bate-bolas. Os três episódios da websérie serão também exibidos em breve nas TVs aberta e por assinatura.O projeto avança para a publicação da graphic novel Claun: a saga dos bate-bolas, pelo selo Barricada, da Boitempo Editorial. O livro será por cinco contos, fábulas urbanas em torno da tradição e das lutas históricas dos grupos de clóvis: 'As primeiras máscaras', 'Jonas perde seu rosto', 'Daury e a morte', 'Meu rosto quando imagino' e 'Amilcar e os espíritos'. Todos os textos e histórias são de Bragança, e a arte é de Daniel Sake e Diego Sanchez e Gustavo M. Bragança. Há também a participação de artistas convidados: o fotógrafo André Mantelli, que documentou uma saída de bate-bolas no Carnaval de , e o artista plástico Aloysio Zaluar, autor de uma série de pinturas realizadas na década de sobre os fantásticos mascarados do Carnaval. Complementam o álbum fotografias das décadas de , e , mostrando as mudanças e continuidades na tradição dos bate-bolas.

A obra terá ainda um mapa do Rio de Janeiro com a localização de mais de 300 turmas de bate-bolas e o ensaio 'Eu, bate-bola', que narra a imersão de Bragança nesse universo. O cineasta passou o Carnaval de nativo do grupo, sofrendo a mesma violência policial que tenta tirá-lo das ruas, uma consequência do onipresente processo de 'revitalização', 'limpeza' e 'ordem' da cidade.

#Autor: Felipe Bragança
#Páginas: 120
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2014

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