Gabriel Mwene Okoundji é reconhecido uma das grandes vozes da poesia africana de língua francesa nas últimas décadas. Sua obra, fluida e magnificamente clara, é uma busca fervorosa pelas origens naturais e míticas, um eco da palavra ancestral, que dialoga com a terra original e nos recorda a poesia de Léopold Senghor. Nascido no Congo, em , e radicado na França, sua extensa obra obteve premiações importantes, entre elas, o Prix de Poésie Contemporaine PoésYvelines (), o Grand Prix Littéraire d’Afrique Noir (), o Prêmio Léopold Sédar Senghor de Poesia do Cenáculo Europeu Francófono () e o Prêmio Internacional de Poesia Benjamin Fondane ().
Como uma sede de ser homem, ainda, primeira antologia em português do poeta franco-congolês, inclui poemas do Ciclo de um céu azul (), Segundo poema — Poema do chão da infância (), A alma ferida de um elefante preto (), Vento louco me bate (), Prece aos ancestrais (), Estelas do raiar do dia — Diálogos entre a Ampili e o Pampu () e Cantos do grão semeado (). Os acontecimentos da vida pessoal do autor e da vida social do seu país, permeados pela tentativa de reconstrução íntima e coletiva no período pós-independência, são abordados e reinventados com recursos estéticos próprios da escrita poética, tais o emprego intencional de metáforas, a variação entre versos curtos e longos, a disposição dos textos com a intenção de explorar seus efeitos visuais e sonoros.
A poesia de Gabriel Mwene Okundji aborda as lutas pela independência de seu território de origem, a defesa da liberdade de pensamento e de expressão, a valorização das identidades étnicas e culturais a partir do reconhecimento de sua pluralidade interna, a crítica às tentativas de homogeneização das identidades étnico-culturais em função de um projeto de nacionalismo dependente e o intercâmbio entre suportes de expressão, que incluem as interferências sobre a herança linguística do colonizador, o uso das línguas locais e a interação entre recursos da oralidade e da escrita.
Segundo o poeta Edimilson de Almeida Pereira, que assina o posfácio da presente publicação, “a violência e o medo, a contradição e o engano, bem a beleza e a sensibilidade, a cooperação e o sonho estão no tecido dessa antologia. Num tempo de rupturas dos pactos que sustentam a vida em a obra de Okundji — sem ignorar a herança histórica dessas rupturas — demonstra a importância de recuperarmos ‘a sensibilidade necessária ao humano em sua relação com o cosmo’”.
Para Guilherme Gontijo Flores, tradutor da antologia, a poesia de Gabriel Mwene Okundji é de uma potência que muito raramente encontrada em livros. “Nela vemos a um só tempo a força da escrita e a mutabilidade da fala, o assentamento na ancestralidade e o devir do presente, em suma, a poesia filosofia, história, rito e congregação de uma coletividade. Ela tem sua estética, que é poderosíssima, mas é se aqui o esteticismo de fato devesse ceder a uma força vital que, em seu animismo assumido e em seu reconhecimento da tradição teghe desdobrado em língua francesa, pedisse para circular seu movimento por outros lugares.”
Para a primeira publicação em português da obra Gabriel Mwene Okundi foi acrescentado ao volume o texto em prosa Aprender a dar, aprender a receber, que é um verdadeiro testamento poético em vida de Okundji.
#Autor: Gabriel Mwene Okundji, Guilherme Gontijo Flores, Edimilson de Almeida Pereira
#Páginas: 288
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025