Esta couraça feita de poesia & de orgulho, vemos na epígrafe de Flaubert que abre o livro, entrelaçando ferro & ouro numa cota de malha, é, portanto, delicadeza dos que vivem, porém também máquina de guerra; nem se pode esperar um fio de cabelo a menos que isso da poesia contemporânea. É a máquina dos hoje fatigados, que sabem que não podem esperar nada de imortal neste mundo (immortalia ne speres nos diz um título; enquanto o último poema é um corte frasal, a própria morte, fazendo do fim um circuito ou um avesso) que se reafunda em autoritarismos canhestros, farsa de farsa de farsa, que só do lado dos massacrados cheira a tragédia.
Porém num ponto Villa salta ainda além do recrudescimento (ou mesmo da redemanda) de uma poesia ativista: seu olhar crítico, duro, incisivo ao longo de pequenas sátiras, tem também o dom de um universo iluminado — tem a busca de belezas, assim plurais, sem o velho monocorde do belo — tem nisso o germe de um mundo que, terminando, precisa ser ainda uma vez r um pulso de vida alucinado (“extensão dos cabelos, estrelas” é um desses muitos punti luminosi). Livro tantas vezes agora chega, vindo de mais de uma década atrás, marcado pelo passo desta última década, se feito exatamente agora.
Guilherme Gontijo Flores
#Autor: Dirceu Villa, Filipe Moreau
#Páginas: 176
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020