“Este é o primeiro livro ficcional de Lúcia Araújo. Vejo nele, contudo, a mesma inteligência vivaz, a capacidade de fazer conexões e a extrema capacidade que a autora vem demonstrando em sua bem-sucedida carreira de jornalista. Pode ser lido um saboroso depoimento sobre a cultura caiçara, palavra de origem tupi que, esclarece ela no livro, significa a mistura de índio Pode ser lido também um retrato – por vezes cruel, mas sempre muito bem-humorado – do nosso embate interno entre a vergonha de um passado pobre e o desejo de ingressar num novo mundo. O tal cozido goiano que dá título ao livro na verdade alude à capacidade do brasileiro de fazer muito com pouco, de improvisar a partir da precariedade, da escassez. Pois penso que o mundo está precisando muito, hoje, dessa capacidade de invenção que tanto caracteriza o brasileiro. E um recado final: as receitas no final do livro são para valer. Casquinha de siri, bolinho de arroz e azul marinho são verdadeiros “biscoitos finos” que ela nos proporciona. Lúcia domina poucos a arte dos temperos e das “misturas”.
#Autor: Lúcia Araújo
#Páginas: 240
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2016