Primeiro escritor russo a ganhar o prêmio Nobel revela, em diário inédito no Brasil, uma visão implacável do período da Revolução Russa Nos dois anos que se seguiram à tomada do poder pelos bolcheviques, o que se via pelas ruas de Moscou era o caos. É o que se depreende das anotações feitas pelo escritor Ivan Búnin () em seus diários mantidos entre e , quando viveu entre a capital russa e Odessa (na atual Ucrânia), antes de partir para o exílio em Paris. Publicadas em forma de folhetins entre e num jornal russo publicado na França, essas notas, editadas e reorganizadas, constituem a obra Dias malditos, que só foi publicada na Rússia em e nunca havia sido traduzida no Brasil. Considerado um grande estilista, Búnin foi o primeiro escritor russo a ganhar o prêmio Nobel, em . Em Dias Malditos, sua escrita poética dá lugar a registros marcados pela urgência, num mosaico de notícias de jornais, fatos testemunhados e informações de boca a boca. O tom é de inconformismo. As notícias e rumores são apavorantes: saques, fuzilamentos, massacres de judeus, julgamentos sumários, bebedeiras, escassez de alimentos. Em dado momento, o próprio escritor se vê no meio de um fogo cruzado quando sai para a rua. Com mais de quarenta edições em menos de uma década, Dias malditos tem uma influência única na formação política e humanística do pensamento russo atual. Na continuidade de uma tradição marcada por Aleksandr Púchkin, e na contramão do que exigia a literatura soviética e a propaganda política, Búnin retrata o povo russo anti-herói: tacanho, sem conhecimento da arte ou da história, confundindo opressão política com liberdade e acreditando em falsos profetas.
#Autor: Búnin, Ivan Aleksêievitch; Vinha, Márcia; Vinha, Márcia; (Capista) Keese, Bruna
#Páginas: 212
#Encadernação: Capa Dura
#Ano: 2023