Nesta coletânea de textos da viajante Isabelle Eberhardt, precedida por um ensaio da pesquisadora e organizadora Paula Carvalho, temos a chance de mergulhar na mente dessa personagem que desafiou os limites impostos por sua nacionalidade, seu gênero e seu tempo e de descontaminar nosso olhar das vivências ocidentais, capitalistas, coloniais, sexistas e binárias para a vagabundagem uma narrativa de experimentação da liberdade. Conhecer a vida de Eberhardt é uma viagem, seja ela no espaço, no tempo ou pelas mais diversas teorias que rondam sua trajetória. Nascida em numa família russa radicada na Suíça, Eberhardt viveu em Genebra até o início da vida adulta, quando se mudou para a Argélia. Errante por excelência, perambulou pelo norte do Magrebe africano, descrevendo nos textos que publicava na imprensa francesa o dia a dia e as particularidades da região sob o domínio da colonização francesa. Trajando as vestimentas argelinas tradicionais que a tornaram conhecida, e com vívidas críticas à Europa, Eberhardt deixa clara sua identificação com os costumes árabes, tendo mais tarde inclusive se convertido ao Islã. Na sociedade argelina, vestia-se homem, frequentava lugares destinados exclusivamente a eles e se um. Porém, nada em sua vida é assim tão simples. Casada com o soldado Slimène Ehni, ela ora assinava seus textos Isabelle Eberhardt, ora Mahmoud Saadi, sem nunca pedir licença para exercer o trânsito entre etnias, identidades de gênero e religiões que mostra justamente o que essa mulher curiosa reivindicava: o direito de ir e vir; o direito à vagabundagem.
#Autor: Isabelle Eberhardt, Paula Carvalho
#Páginas: 280
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022