Existe um vazio terminológico para designar aqueles que perdem um filho, os “órfãos ao contrário”. A peça É a vida caminha por esse deserto a procura de uma palavra, de uma esperança, convidando dois atores para testemunhar essa dor indescritível. Uma performance-experiência-limite que se sustenta sobre o fio da delicadeza. Mohamed El Khatib confecciona um pequeno manual para uso dos vivos. Distorcendo o papel do ator – o de fingir para se aproximar do real –, ele escreve uma peça tênue, em equilíbrio entre o pudor e a extrema proximidade com o público, a qual nos leva ao sentido da palavra hebraica shakoul, “A ursa a quem tiraram a ninhada”.
Mohamed El Khatib (Orleans, França, ) é ator, diretor e escritor. É artista associado do Théâtre de la Ville de Paris, do Centre Dramatique National de Tours – Théâtre Olympia, e do Théâtre national de Bretagne – Centre Européen Théâtral et Chorégraphique. Em , cofundou o coletivo Zirlib. Seu trabalho o teatro a outras disciplinas, a dança, as artes visuais, o cinema e as mídias digitais, revelando um novo olhar sobre essas relações. Khatib considera a criação contemporânea uma experiência, um gesto sensível/social no qual a dimensão estética mais sofisticada deve ser confrontada com o cotidiano mais banal. Os encontros são sempre os pontos de partida para o trabalho de Khatib. Moi, Corinne Dadat () foi escrita após o encontro com a faxineira de uma escola em Bruges, na Bélgica. A peça Acabar em beleza, sobre a morte de sua mãe, foi um dos acontecimentos mais importante da edição de do Festival d’Avignon e ganhou o Grande Prêmio de Literatura Dramática da França (). Já em É a vida (), Khatib coloca no palco dois atores que sofrem o luto pela perda de um filho.
Gabriel F. (Brasília, Brasil, ) é diretor, dramaturgo e encenador. Em , foi cofundador da Teatro de Açúcar, com a qual criou os espetáculos Além do que se vê (), Tenho febre, mas vou buscar nosso dinheiro (), Máquina de gargalhadas (), Movie about the City (), A vida impressa em Xerox (), Adaptação (), A volta dos que não foram () e Cleópatra (). O monólogo Adaptação (Prêmio SESC de Teatro de Melhor Ator e Melhor Dramaturgo em ) foi traduzido para o castelhano e apresentado em mais de 50 cidades no Brasil e na Espanha. Em parceria com o Cena Contemporânea – Festival Internacional de Brasília, a teve a criação do espetáculo Naufragé(s) () coproduzida pela La Comédie de Saint-Étienne. Atualmente, Gabriel é membro do conjunto artístico de La Comédie de Saint-Étienne e estará na próxima produção de Arnaud Meunier, Candide, de Voltaire ().
#Autor: Mohamed El Khatib, Gabriel F.
#Páginas: 92
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2019