Como ressaltado por Paulo Freire, a educação é transformadora. Assim sendo, ela não pode ser neutra, já que esta transformação implica em mudanças. A neutralidade é uma maneira cômoda, hipócrita, com o intuito de esconder uma opção ou até mesmo medode acusar a injustiça. É o mesmo que lavar as mãos em face da opressão, reforçando assim o poder do opressor. As falas acima são corroboradas por Desmond Tutu quando elucida que "não há lugar para neutralidade". Segundo Tutu, "quando você se diz neutro em relação a uma situação de injustiça e de opressão, automaticamente você está apoiando o status quo injusto".
A neutralidade implica na anulação do sujeito, ou seja, a educação não surtirá nenhum efeito no indivíduo, isto é, ele continuará sendoum ser objeto, manipulado por um sistema excludente e elitista. Paulo Freire deixa claro que a neutralidade da educação é uma visão ingênua. Sendo assim, em sua obra Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, publicada pela Paz& Terra em , ele elucida que "um professor só será professor, quando puder perceber a sua não neutralidade, já que a própria prática docente exige do professor uma definição, uma tomada de decisão, uma ruptura e escolhas entre isso e aquilo". Asfalas acima são corroboradas no livro de minha autoria, Educação: um ato político, publicado pela editora Autografia, em , no qual eu pontuo que "a educação nunca é neutra, já que ela é uma ação voluntária". Dito isso, falar em neutralidade na educação é um mito, uma falácia na qual os manipuladores elitistas discursam para que a educação seja uma ação estéril, aumentando, em co a massa de manobra.
#Autor: Wolmer, Ricardo
#Páginas: 168
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2024