“Empreendo este elogio da mão quem cumpre um dever de amizade. No momento mesmo em que me ponho a escrever, vejo minhas próprias mãos que solicitam meu espírito, que o arrastam.” O Elogio da mão, de Henri Focillon (), é um dos grandes ensaios de reflexão estética e antropológica que o século XX produziu — e merece ser lido tal. Publicado originalmente em apêndice a Vida das formas, ficou por muito tempo à sombra do texto mais longo que o historiador francês dedicou às noções de tempo, espaço, forma e estilo. Uma pena, pois a ousadia do Elogio não se limita ao brilho da prosa de Focillon e faz pensar em autores Warburg, Benjamin ou Merleau-Ponty. Ao destronar o olhar da posição de eminência que sempre foi sua no campo do pensamento estético, ao afirmar o primado da mão ativa e criadora no nosso trato com o mundo e com as formas, Focillon formula uma série de desafios a nosso modo habitual de pensar a arte e a criação, o desígnio e o acidente. Para ele, o artista é um “homem antigo” que, em plena era mecânica, reencena com suas mãos a descoberta do mundo e da natureza. Assim, afirma Focillon, “r perpetuamente, um formidável outrora, assim se refaz, sem se repetir” o passado “de uma raça humana que não esqueceu o privilégio de manipular”.
#Autor: Henri Focillon, Samuel Titan Jr.
#Páginas: 96
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025