Livro Escrever Alem Da Raca

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“Se não pudermos culturalmente aceitar o modo o pensamento e a prática da supremacia branca elucidam aspectos de nossa vida, independentemente da cor da pele, nunca conseguiremos ir além da raça.” Neste livro, lançado originalmente em , após um relevante marco histórico no debate racial — a eleição de Barack Obama primeiro presidente negro dos Estados Unidos —, bell hooks consolida e aprimora um argumento que a por décadas: a da supremacia branca enquanto “ideologia dissimulada que é a causa silenciosa do dano e do trauma”. Nos dezessete ensaios deste volume, em que volta a exercer uma refinada crítica cultural, a autora se esforça para demonstrar que raça, gênero e classe “correm o risco de se tornar meros tópicos de investigação sem relação com o aprendizado transformador ou com a mudança prática”. Para evitá-lo, explica hooks, a análise intersecional deve incorporar o entendimento da supremacia branca característica transversal dos sistemas interligados de dominação. “Estou tentando pensar e escrever além dos limites que nos mantêm hiper-racializados”, diz. “Encontrar uma maneira de ir além da raça é o único caminho para a longevidade emocional e para a libertação.”

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Para uma parte do público leitor, a textualidade fluida e certeira que hooks imprime em livros com repertório semelhante ao deste pode ser interpretada um discurso “suave” diante de tensões tão prementes. No entanto, o problema está no terreno social dessa escrita, política e quase poética, marcada por agudeza e nitidez. Não há anúncio de um tempo pós-racial ou da superação das desigualdades de classe. Há, sim, mais páginas libertárias advindas de vozes conectadas a grupos e segmentos colonizados e subalternizados. As agressões a pessoas negras diante das câmeras e a notória ausência da negritude na direção de escolas, universidades, partidos, empresas e órgãos públicos constituem um recorrente sinal de alerta. Contra os sistemas de dominação, hooks interpõe a esperança e o amor, que têm sentidos políticos. Ao escrever sobre o amor, ela vai da esfera pessoal à social, passando por várias escalas, acrescentando dimensões coletivas, a exemplo dos movimentos e das Alex Ratts, no Prefácio à edição brasileira

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Pensar na supremacia branca a base da raça e do racismo é crucial, porque nos permite enxergar mais do que a cor da pele. Permite que olhemos para todas as incontáveis maneiras nossas ações podem estar impregnadas pelo pensamento supremacista branco, independentemente de nossa raça. Sem dúvida, a raça e o racismo nunca se tornarão desimportantes se não conseguirmos reconhecer a necessidade constante de desafiar a supremacia branca. Quando os estudos culturais criaram um contexto no qual a questão da branquitude e do privilégio branco pudesse ser estudada e teorizada, uma nova maneira de pensar e falar sobre raça parecia estar surgindo. Embora estudiosos tenham escrito muito sobre o privilégio branco, nem sempre se esforçaram para mostrar a relação entre noções subjacentes de supremacia branca e privilégio branco. A hiper-racialização da branquitude fez parecer, então, que os temas principais eram a pele branca e os privilégios que ela permitia, e não os modos supremacistas brancos de pensar e agir, expressos por pessoas de todas as cores de pele. É muito provável que a recentralização da branquitude tenha ajudado a silenciar teorias e práticas necessárias para que possamos, de fato, nação, aprender a nos livrar do racismo.

— bell hooks, na Introdução

#Autor: Hooks, Bell
#Páginas: 308
#Encadernação: Brochura Com Orelhas
#Ano: 2022

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