Em julho de , um jovem brasileiro, prestes a 20 anos, estudante de Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, escreveu um poema destinado à posteridade, num momento em que, por assim dizer, o país independente ainda não havia 21 anos.
Intitulando o poema "Canção do exílio", Gonçalves Dias inaugurou uma experiência de pensamento que, a partir de seus versos, deu forma a um traço propriamente brasileiro: o exílio forma paradoxal de identidade.
A "Canção do exílio" tornou-se uma espécie de matriz textual da poesia nacional, tanto por suas qualidades intrínsecas quanto pelo processo de consagração que se estabeleceu desde a publicação dos Primeiros cantos, em .
Contudo, o que está por trás da inquietante adoção do exílio forma literária? Será a "Canção do exílio" um poema-sintoma? No caso, sintoma do impasse que pode ser expresso numa pergunta que orienta este livro: onde está o povo na "Canção do exílio"? Por que Gonçalves Dias esboça um país-paisagem, dominado por sabiás e palmeiras, sem nenhuma alusão a Palmares?
Responder a essas questões é o propósito de Exílio forma: Gonçalves Dias e o dilema brasileiro.
#Autor: João Cezar de Castro Rocha
#Páginas: 176
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025