Apesar das ficções constituintes de sua existência, a fotografia é o elo afetivo que nos relembra, emociona e aproxima do passado. Ela importa para a identidade do indivíduo, da família, da ela importa enquanto fonte histórica e instrumento da memória, e esse é um fator nas diferentes abordagens da história. Ela é memória pelo que mantém perenemente gravado: o fragmento visual dos cenários e personagens imobilizados no gesto, presentes na representação, porém ausentes da vida. São as suas duas realidades que se superpõem sempre, conceito que abre caminho para a de sua essência. [.]
As reflexões sobre a fotografia devem ser incentivadas, basta constatarmos que vivemos sob o jugo das imagens, razão por que um profundo conhecimento de suas leis e alcance deve ser empreendido por parte dos estudiosos visando a decifração dos códigos formais e culturais que lhe são inerentes. A partir de agora, as imagens formas hibridas de representação, já se prestam a simular a iconografia de rostos, atos e fatos que nunca existiram: realidades sintéticas construídas por inteligência artificial. Qual é o futuro da história? Necessitamos de mais obras que alimentem o pensamento fotográfico para melhor os processos de criação/construção de realidades que permeiam o mundo das imagens, condição para aprimorarmos a desmontagem desses processos, que o poder e os impérios da nos submetem.
Boris Kossoy
#Autor: Maria Ciavatta
#Páginas: 240
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2023