Livro Goethe o libertador: e outros ensaios

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In solchem Sinne war ich Meister von niemand. [Wenn ich aber aussprechen soll, was ich den Deutschen überhaupt, besondes den jungen Dichtern geworden bin,] so darf ich mich wohl ihren Befreier nennen. Em certo sentido, nunca fui mestre de ninguém. [Mas se eu fosse expressar o que sou para os alemães em geral, e especialmente para os poetas jovens] aí, sim, permito-me chamar de seu libertador. Johann Wolfgang von Goethe Goethe é o clássico que por sua vez viveu dos clássicos, o protótipo do herdeiro espiritual, coisa de que ele mesmo se deu tão clara conta (...) ademais, se todos os clássicos o são, em definitivo, para a vida, ele pretende ser o artista da vida, o clássico da vida. Deve, pois, com mais rigor que nenhum justificar-se ante a vida. José Ortega y Gasset “(...) isto é o que por detrás das significações histórico-literárias quer dizer romantismo: o descobrimento pré-conceitual de que a vida não é uma realidade que tropeça com mais ou menos problemas, mas sim que consiste exclusivamente no problema de si mesma. José Ortega y Gasset “Fausto quer uma segunda vida porque está insatisfeito com a primeira, mas o fato é que ao entrar naquela e voltar a ser jovem parece ter esquecido o que já tinha vivido, de modo que não é propriamente uma segunda vida”. José Ortega y Gasset O sentimento de solidão de Fausto está ligado ao significado da palavra liberdade nos tempos de Goethe. Esse sentimento de solidão é parelho aquele manifestado por Edgar Allan Poe, do poema “Alone” que é unicamente correspondido na perfeita individualização do artista, exposto na peculiaridade dos seus modos e trejeitos. Há uma personagem no livro Of human Bondage, de Somerset Maugham, um poeta, Cronshaw, que utiliza roupas escuras e sempre fica em um canto de bar, bebendo e fumando rodeado de jovens estudantes. Fausto também vai para uma Taverna, com Mefistófeles, juntar-se com jovens universitários. Poe fazia o mesmo, vestindo roupas pretas — e ao avesso —, tomando vinho nas tavernas, tudo auxiliado pela dança do ópio. Alvares de Azevedo, ironicamente, retoma Goethe de Os sofrimentos do Jovem Werther, no belíssimo poema “É ela. É ela. É ela. É ela! É ela”. (...) “Todo romantismo foi poesia e atitude, e por isso sobrevive nos poetas atuais. Essa atitude romântica encontra seu na individualização, na força da palavra e da magia, para revelar um “ser” que “se enxerga”, mais tarde Oscar Wilde “entenderá”, persona, uma personalidade, um filho da fama. Goethe inicia esse processo de conquista da fama. Ao ater-se em sua “individualização”, sua particularidade de passo/marcha/dança, ele escapa da realidade do percurso social do ser para a não realidade do universo simbolista — observa argutamente Ortega y Gasset — que o poeta alemão ergue, uma espécie de pavimento, para uma maneira singular de andar diante da multidão: “une dança e marcha” (Valéry.). Anda uma Flor!”. Ricardo Araújo

#Autor: Ortega y Gasset, José; Português Araújo, Ricardo; Português Barbosa, Sidney; Português Topf Monge, Guiomar
#Páginas: 120
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022

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