No início do século XVIII, o letrado baiano Manuel Pereira Rabelo recolheu poemas que circulavam em Salvador na oralidade e em folhas volantes, atribuindo-os a Gregório de Matos e Guerra, que lá vivera entre e . Para prefaciar a escreveu um retrato do poeta, que é ficção epidítica do gênero vida. Em , o Cônego Januário da Cunha Barbosa publicou uma paráfrase dele prefácio para dois poemas que atribuiu a Gregório e editou no número 9 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A paráfrase interpreta os lugares retóricos da ficção fatos positivos da vida empírica do homem Gregório, convertendo a verossimilhança da vida do personagem do texto do século XVIII na verdade da psicologia de um indivíduo romântico do século XIX. Varnhagen a retomou no Florilégio da Poesia Brazileira, em , classificando o homem Gregório doente, vadio e protonacionalista. Críticos posteriores vestiram novas roupagens positivistas, deterministas, racistas, climáticas, psiquiátricas, estilísticas, sociológicas, semióticas, neovanguardistas e tropicalistas nessa interpretação romântica, propondo os poemas etapas para o Estado Nacional Brasileiro, expressão anárquico-antropofágico-riponga-policultural da baianidade, antecipação profética das funções da linguagem de Jakobson, prefiguração colonial da pós-modernidade pós-utópica e mais coisas típicas de uma colônia do Antigo Estado português.
#Autor: Gregório de Matos E Guerra, João Adolfo Hansen, Marcello Moreira
#Páginas: 400
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2014