O desconhecimento sobre o passado, o presente e o futuro dos índios no Brasil é grande. Em cinco ensaios que se valem tanto da história quanto da antropologia, este livro desmistifica os preconceitos que ainda imperam. A história permite responder a várias perguntas. Por que são tão distintas as imagens que colonizadores portugueses e filósofos franceses formaram dos índios no século XVI? Por que os índios foram primeiro cobiçados mão de obra escrava e mais tarde apenas considerados obstáculos à ocupação das terras? Como a política indigenista foi mudando em função desses interesses e por que a maioria das terras indígenas no Brasil está na Amazônia? Outras questões são de natureza conceitual. Como determinar quem é índio, que critérios são válidos? Como se deve entender a noção de cultura? Quais os fundamentos e a história dos direitos indígenas no Brasil que hoje estão consignados em um capítulo da Constituição? Até os anos , era pensar os povos indígenas fadados ao desaparecimento pela marcha inelutável do progresso. Muita coisa mudou desde essa época, sobretudo as noções de progresso e de integração. Com a valorização das diferenças culturais, a velha ideia de que integrar os índios era torná-los nós”, assimilá-los, ficou obsoleta: igualdade e homogeneidade cultural deixaram de ser sinônimos. E, no entanto, há ainda quem diga que os índios são um empecilho ao progresso. Para o nosso país que tem o privilégio de aliar uma imensa biodiversidade a uma igualmente imensa sociodiversidade, entender o passado e planejar o futuro com a presença e a parceria dos povos indígenas é um desafio fundamental.
#Autor: Cunha, Manuela Carneiro da
#Páginas: 160
#Encadernação: Brochura