Livro Insular, Proceder

Código: 9788593478420 Marca:
R$ 40,00
ou R$ 38,00 via Pix
Comprar Disponibilidade: Imediata Aproveite! Restam apenas 6 unidades
  • R$ 38,00 Pix
  • R$ 40,00 Apple Pay
  • R$ 40,00 Boleto Bancário
  • R$ 40,00 Mercado Pago
* Este prazo de entrega está considerando a disponibilidade do produto + prazo de entrega.
Uma babosa

Cresce em fractal,

neste pequeno

vaso: folhas

que se destravam

costelas, algo

entre lâmina e

adereço,

cabeleira verde

(aloe vera),

o esplendor discreto

e refrescante

de uma estrela

doméstica.

O título deste novo livro de Renan Nuernberger, o terceiro em sua trajetória, aponta para duas atitudes (além de todo jogo que as palavras isoladamente também proporcionam). Por um lado, “insular”, a atitude do sujeito que se fecha numa ostra (tema de um dos mais belos poemas do livro), exausto do contato com o cotidiano, esse “que avilta, deprime”, escreveria Drummond; por outro, “proceder”, verbo que leva a uma ação, dando prosseguimento a algo

Este é o convite geral que Renan faz ao seu leitor: insular e proceder ao mesmo tempo, num movimento incessante; nesse caminho de enfrentamento da experiência moderna os dois atos - de se fechar e de se abrir a partir do fechamento - partem de uma tradição lírica consolidada, a que formou Renan leitor e estudioso de poesia, e que chegou até ele não mais com seu frescor original, mas ideologia, algo petrificado e transformado em mercadoria.

A consciência disso, em sua poesia, desde seu primeiro livro, salta aos olhos: o que poderia ser um pastiche de formas prestigiadas da poesia parece agir por dentro do poema, reativando forças ainda inéditas, principalmente ao contrastar a forma de uma certa tradição lírica com a experiência terrível do mundo de hoje. Isso já havia sido observado por Fábio Weintraub e Pádua Fernandes no posfácio de Luto, segunda coletânea de Renan. Eles notavam o desajuste “entre a matéria dos poemas” e “a adesão a soluções dos poetas de outrora”. Um risco (o do mero pastiche) que se transforma num achado, pois busca na forma do poema o testemunho de uma experiência de revolta e recusa, que atravessa nossos tempos.

Já de saída, o poeta evoca o spleen baudelariano, a melancolia das calçadas, da vida urbana. Mas sem aquela possibilidade, mesmo que irônica, do encontro com o outro: que aqui é representado por um entregador, de capacete, com o rosto coberto e ausente, cada vez “menos irmão”. É a tônica do isolamento físico e social, cujo ápice aparecerá no poema “Por um mundo obstinadamente fechado”, que evoca Francis Ponge e seu famoso poema da ostra. O salto de Renan não objetiva a pérola, em Ponge, mas ser a ostra: “Ser uma ostra: manter-me quieta/ ruminando meu relógio calmamente/ até o dia, enfim, em que se forme/ uma joia – encravada neste verso –, / polida sobre um parco grão de areia”.

Este seu terceiro livro de poemas potencializa toda uma tradição da poesia (a do modernismo, a do concretismo e a do desbunde dos anos 70, incluindo aí a lírica da canção), e encontra a medida certa entre humor e amor, sempre necessários, e a consciência crítica. “Confundir escuridão com imobilismo é o maior dos equívocos de qualquer desbravador”, alerta o poeta-narrador do último e mais longo poema do livro. É essa escuridão que seu livro encara, enfrentando a enxurrada de múltiplas mercadorias despejadas diariamente pelo neoliberalismo.

--Heitor Ferraz Mello

#Autor: Nuernberger, Renan
#Páginas: 76
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025
R$ 40,00
ou R$ 38,00 via Pix
Comprar Disponibilidade: Imediata Aproveite! Restam apenas 6 unidades
Pague com
  • proxy-mercadopago-v1
  • Pix
Selos
  • Site Seguro

DISTRIBUIDORA PARTILHANDO LTDA - CNPJ: 41.819.324/0001-33 © Todos os direitos reservados. 2026