Livro Invenção da modernidade literária, A

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Friedrich Schlegel e o romantismo alemão “O arquétipo da humanidade nos degraus mais elevados da formação antiga é a única base possível de toda a formação moderna.” Assim lemos no texto de , “Do valor do estudo dos gregos e romanos”, de autoria de Friedrich Schlegel. Nesse momento ainda estava sendo gestada a grande ruptura que logo aconteceria. Foi superando essa relação de profundo respeito e de idealização pelo passado clássico que esse poeta e teórico da poesia, ao lado de seu irmão August Schlegel e de Novalis, vieram a fundar a nossa modernidade literária e artística. O chamado Primeiro Romantismo Alemão foi um movimento que gestou a nossa autoimagem, e está na origem de questões e debates que nos atingem até hoje. O romantismo foi um movimento de ruptura profundo, vertiginoso, quando, após a Revolução Francesa, ficou claro que, para nos formarmos, em vez de olhar para o modelo passado, deveríamos olhar para o futuro. O mundo ficou de ponta-cabeça. Mas essa virada não foi tão simples, e a importância desta obra de Constantino Luz de Medeiros consiste em justamente ajudar a entender esse momento de convulsão e de fundação. Ele nos mostra no cerne dessa mensagem do Primeiro Romantismo está não a resposta conservadora à perda de chão que foi a Revolução, mas sim o seu aprofundamento e desdobramento. Incorporar a Revolução significava pensar o Eu processo, eterno movimento de construção e desconstrução. Daí a importância atribuída por esses pensadores ao campo artístico máquina de criar e demolir mitos); daí a importância dada a eles ao Witz (o chiste), que, na contramão do juízo valorizado por Kant, rompe com a cadeia de pensamento lógico dedutivo e cria a partir do caos; daí também a valorização da Verstellung (dissimulação), da ironia, do fragmento e da tradução. Pela primeira vez a tradução é tratada um verdadeiro gênero do discurso, que, por ser uma imitação que necessariamente desvia, pode ser usada para por em questão a concepção estanque das identidades. August W. Schlegel deu um acabamento delicioso a essa valorização desconstrutora do que normalmente é visto sendo secundário no fragmento 110 da revista Athenäum: “É um gosto sublime sempre preferir as coisas à segunda potência. Por exemplo, cópias de imitações, julgamentos de resenhas, adendos a acréscimos, a notas”. Não seria ousado ver nessas ideias e nesses pensadores o germe da nossa antropofagia modernista, irônica, devoradora e apropriadora do “outro” meio de (des)construção do próprio, demonstra esse passeio pelo mundo oscilante do Primeiro Romantismo que Constantino nos descortina aqui com rigor e segurança. Márcio Seligmann-Silva

#Autor: Luz de Medeiros, Constantino
#Páginas: 208
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021

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