Livro Mineração, genealogia do desastre: o extrativismo n...

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Esta obra não é um livro de história. É um ensaio histórico-sociológico que pretende colocar na mesa dos debates uma tese sobre o lugar e o papel da mineração moderno-colonial na posterior configuração do projeto civilizatório hegemônico, que dá forma à vida social contemporânea. Nossa tese afirma, de maneira simples, que a mineração moderno-colonial foi o detonante fundamental do Capitaloceno. Aqui se procura demonstrar esse tipo histórico de exploração das "riquezas" minerais da Terra, nascido do empreendimento da invasão e da conquista colonial do "Novo Mundo", desencadeou e motorizou toda uma série de grandes deslocamentos geológicos e antropológicos que desembocaram na grande crise ecológico-civilizatória que hoje paira sobre nossa Mãe Terra e, especificamente, sobre nossa biológica, os humanos. A invasão, conquista e colonização — primeiro, da América e, logo, do mundo inteiro — tiveram na sede pelo ouro a força motriz e o sentido-mor de sua existência, e na eficácia letal do chumbo e do ferro, o meio indispensável de sua realização. Essa perversa liga de metais — a violência a serviço da cobiça — é o que, em definitivo, desde o século XVI, forja as bases materiais e simbólicas do regime de dominação hegemônico moderno. […] Desde que a primeira edição deste livro foi publicada, em , uma grande quantidade de acontecimentos se deu no panorama da mineração transnacional na América Latina. Fatos não apenas importantes e graves, mas fatos no sentido de toda a densidade política que esse termo expressa. É o caso evidente do i crime massivo da Samarco no Vale do Rio Doce, no Brasil. E de crimes dirigidos a pessoas, o assassinato de Berta Cáceres e a tentativa contra Gustavo Castro Soto, em Honduras; ou o assédio e a perseguição policial-judicial a Máxima Acuña, no Peru. Houve ainda mortos e feridos "ao acaso", nas violentas repressões das greves contra a mineradora Tintaya Marquiri, no Peru. Eu poderia mencionar os sucessivos vazamentos de milhões de litros de água cianetada pela Barrick Gold, em San Juan, no leste da Argentina; os quarenta mil litros de ácido sulfúrico nos rios Baranuchi e Sonora, no México; a contaminação dos mananciais que abastecem a população de Santo Antônio do Grama, em Minas Gerais, pela ruptura de um mineroduto da Anglo American; e tantos outros crimes contra a natureza que, no jargão mineiro, são apresentados "acidentes". […] Assim, na atualidade na origem, a mineração — a mineração colonial moderna — segue a veia aberta mais lacerante e sangrenta, em nossa entidade histórico-geopolítica chamada de "América Latina", mas também para além, em todo o Sul global. Esta história é uma história escrita por rastros cada vez maiores de sangue. Seus grandes feitos vão de massacre em massacre. Seus "avanços tecnológicos" são, na verdade, o aperfeiçoamento da arte da guerra, o uso eficaz da violência; o incremento na intensidade e na capacidade de controle, apropriação, extração e trituração das energias vitais, de montanhas, paisagens, corpos de água, biodiversidade.

#Autor: Horacio Machado Aráoz, Tadeu Breda, João Peres, Bianca Oliveira (Projeto gráfico)
#Páginas: 324
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2020

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