Reginaldo Prandi evoca a ambiência da metade do século XX para, em meio a conflitos familiares, intrigas religiosas e amores juvenis, tratar do avanço da tecnologia, do risco de perder as raízes e, ao mesmo tempo, da importância de mudar. No final da década de , uma cidadezinha do interior do Brasil é surpreendida por uma série de assassinatos, suicídios e mortes suspeitas. Até então, o sossegado município enfrentara apenas crimes perpetrados por ladrões de galinhas. A solução de casos de mortes tão diversos quanto os artigos vendidos nos dois armazéns de secos e molhados da cidade vai depender das relações pessoais, das fofocas e da curiosidade sobre a vida alheia, que dão sabor e sentido ao dia a dia dos moradores. Reginaldo Prandi evoca toda a ambiência da metade do século XX para, em meio a conflitos familiares, intrigas religiosas e amores juvenis, tratar do avanço da tecnologia, do risco que se corre de perder as raízes e, ao mesmo tempo, da importância de mudar. “Saíram do cinema num empurra-empurra, estava uma confusão, uma gritaria. Alguma coisa prendia os cinéfilos à porta da sala de exibição. O delegado-substituto Bel e todo o seu efetivo, formado por um cabo e dois soldados, isolavam o trecho da calçada bem em frente ao Cine Santa Clara. Os dois amigos conseguiram chegar mais perto, se enfiando entre safanões e xingamentos, e viram, estarrecidos, um corpo inerte no chão coberto de sangue. Bel espantava todo mundo, mandando para casa o povaréu que saía do cinema e os que vinham da praça, procurando manter intocada a cena do crime, ameaçada de invasão pela curiosidade popular. Era a maior novidade da cidade, desde o dia em que um cavalo desembestado entrou na igreja na hora da missa e atropelou meia dúzia de devotas que tentavam proteger a integridade física do padre. Afastados do local, grupos se reuniam, discutiam e espalhavam a notícia. ― Mataram a Izildinha a facadas.”
#Autor: Prandi, Reginaldo; (Capista) Loureiro, Raul
#Páginas: 336
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022