As tensões entre tempo e espaço, entre tempo, espaço e poesia, os limites desses conceitos ou suas possíveis articulações são demandas que estão longe de um consenso na literatura. Além disso, este não é um livro sobre um determinado tempo/espaço o leitor pode imaginar nas primeiras páginas ou mesmo pelo título. Mas sim a abertura de uma perspectiva de um movimento de leitura provocação a ideia de uma poesia temporal que, para acender ainda mais as dúvidas - deve ser a boa literatura - traz o amor tema central, mote, enredo, e se desenvolve quase que exclusivamente ao redor de duas personagens. Ainda assim, a autora consegue fazer dessa mistura tão suspeita e de aparência tão simples, algo universal e ao mesmo tempo, ainda inexplicável, por mais explorado que já tenha sido. Porque Nestes dias impossíveis, há ligações nem sempre harmônicas entre o sonoro e o sentido, entre o ritmo, a imagem, a sintaxe e a materialização do pensamento. Há, Nestes dias impossíveis "o paradoxo de inquietudes e contradições, algo que não é elucidação nem pois o inexplicável está presente nos poemas, oferecendo sua própria linguagem ao que se murmura na ausência da palavra", bem disse Blanchot. (...) Nesses dias impossíveis, somos, de alguma forma, agraciados com a possibilidade de descobrir que a poesia não se contamina apenas do presente, mas também se desloca da sua época numa linha anacrônica entre passado e futuro, ainda que ausentes, para poder transformar e intercalar tudo numa coisa só: vida.
#Autor: Autran, Paula
#Páginas: 142
#Encadernação: Brochura Com Orelhas
#Ano: 2022