O terrorismo não foi inicialmente um objeto de estudo. De certa forma, fui escolhido por ele. Morando pesquisador na França nos anos em que este país se tornou o alvo privilegiado dos ataques jihadistas, entre e , fui impelido a pensar sobre tais eventos. A reflexão foi tomando forma em textos esparsos, que me eram solicitados a medida que novos ataques se repetiam. A maior parte deles apareceu no caderno “Aliás” do jornal O Estado de S. Paulo, e uma primeira tentativa de maior fôlego foi publicada no quarto número da revista Peixe-elétrico. É partindo deste texto que proponho o presente ensaio, em uma versão bastante ampliada que aborda novas questões e eventos posteriores à publicação original. O terrorismo insiste em não sair de moda. Como ficará claro, não é escopo do presente ensaio enumerar fatos ou levantar dados sobre eventos específicos. Não nos interessa tampouco aprofundar a do Islã ou apresentar os conflitos geopolíticos do Oriente. Se fui levado a pensar sobre o terrorismo, foi porque reconheci em sua manifestação atual traços característicos não de uma sociedade outra, mas sim daquela em que vivemos: a sociedade do capitalismo avançado, cuja fase última foi batizada por Guy Debord “sociedade do espetáculo”. Foi o caráter profundamente espetacular dos ataques terroristas que primeiro me chamou a atenção e que, pesquisador da obra do pensador francês, vi-me na obrigação de tentar elucidar. Nesse sentido, o que busco aqui não é tanto uma do terrorismo enquanto fenômeno à parte, mas a de nossa sociedade através do terrorismo. Trata-se de um esforço de reflexão embasado na tradição da teoria crítica, que busca apreender através de um fenômeno particular e extremo características da totalidade social. Um uso livre de categorias psicanalíticas servirá ademais a articular esses fenômenos que podem ser sintomas de tendências patológicas gerais, oriundas da socialização do valor e da subjetivação espetacular.
#Autor: Gabriel Ferreira Zacarias, Tadeu Breda
#Páginas: 64
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2018