Livro No mundo sem chão: escritos sobre arte

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No mundo sem chão: escritos sobre arte reúne textos do crítico de arte, curador e pesquisador Paulo Sergio Duarte, percorrendo toda a sua produção, dos anos à atualidade. Organizado pelo historiador da arte Sérgio Martins, o volume inclui um escrito de publicação inédita em português (“O significado da produção”, sobre a obra de Antonio Dias, escrito originalmente em italiano) e abrange textos sobre artistas formativos brasileiros — Antonio Dias, Iole de Freitas, Tunga, Waltercio Caldas; outros artistas relevantes — Carlos Vergara, Jorge Guinle, Lygia Clark, Nelson Felix, entre outros; e estudos sobre arte de forma ampla.

A edição conta, ainda, com uma entrevista com Paulo Sergio Duarte conduzida por Fred Coelho, Iole de Freitas, Luisa Duarte, Luiz Camillo Osório e Sérgio Martins, feita exclusivamente para a publicação deste livro; um caderno de imagens, com obras referenciadas ao longo do livro; e uma breve cronologia da trajetória de Paulo Sergio Duarte, mapeando sua diversa atuação intelectual, que passa pela administração pública, instituições de ensino e curadoria da 5ª Bienal do Mercosul.

Trechos

“[...] nesse espaço, onde todos os gatos são pardos, certas vezes o processo de produção do trabalho é importante ponto de referência. Só assim poderemos notar o rebaixamento da concretização material do trabalho, de sua realização empírica, no caso das artes plásticas, a proveito da reflexão sobre sua produção, ao nível da ideia, degrada de um modo positivo a posição tradicional do sujeito da contemplação, consumidor por excelência de artes visuais, conduzindo-o a reflexão ou a fuga pela rejeição primária.”

“Mas esse olhar desconexo tem que se chocar com um processo em que as cartas estão marcadas e os dados viciados para neutralizar o ‘estrangeiro’, o ‘desconhecido’. Essa é a jogada-chave da mecânica passiva da História. Por um instante, o reluzir frágil do novo cintila sobre o universo opaco do saber dominante. Logo captado, a tradição aponta efêmera a diferença, ou reclama a paternidade da obra. A relação de forças postas em jogo é de uma desproporção brutal. Como em qualquer manifestação de cultura, temos, de um lado, o universo estéril do automatismo da reprodução, orientada pela repetição e para a repetição, privilegiando uma certa mimese: a reprodução do sucesso do outro. Em oposição, o novo, trazendo a marca da i forja uma trilha diversa em busca de sua identidade.”

Sobre o autor

Paulo Sergio Duarte é crítico, professor de história da arte e curador. Até março de foi pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados – CESAP – da Universidade Candido Mendes, onde dirigiu o Centro Cultural Candido Mendes. Exerceu diversos cargos públicos na direção de instituições da educação e da cultura. Entre outros, implantou o Núcleo de Arte Contemporânea – NAC (com Antonio Dias e Francisco Pereira) da Universidade Federal da Paraíba – UFPb (); projetou e implantou o programa Espaço Arte Brasileira Contemporânea – Espaço ABC – da Funarte (com Glória Ferreira) (); dirigiu o Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte – INAP (); atuou Assessor-Chefe do Rioarte, na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (-84); Assessor de Modernização Administrativa da Secretaria Municipal de Educação e Cultura do Rio de Janeiro (); Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Educação e Cultura do Rio de Janeiro (-86); Diretor Geral do Paço Imperial – IPHAN/Pró-Memória (); Subsecretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro (-93) e membro do grupo de implantação da Universidade Estadual Norte Fluminense – UENF (). Foi curador de muitas exposições individuais e coletivas de diferentes portes. Publicou os livros Antonio Dias (com Achille Bonito Oliva) (São Paulo: Cosac Naify / APC, ); Arte Brasileira Contemporânea – um prelúdio (Rio de Janeiro: Instituto Plajap, ); A Trilha da Trama e outros textos sobre arte (Rio de Janeiro: Funarte, , 2ª edição, ); Carlos Vergara (Porto Alegre: Santander Cultural, ); Waltercio Caldas (São Paulo: Cosac Naify, ); e Anos 60 – Transformações da arte no Brasil (Rio de Janeiro: Campos Gerais, ); além de diversos textos sobre arte moderna e contemporânea em livros, catálogos e periódicos.

Sobre o organizador do livro

Sérgio Bruno Martins é crítico, historiador da arte e professor do Departamento de História da PUC-Rio. Mestre e doutor em História da Arte pela University College of London (UCL). Foi editor convidado do número especial “Bursting on the Scene: Looking Back at Brazilian Art”, do periódico Third Text, e é autor do livro Constructing an Avant-Garde: Art in Brazil, (). Tem experiência nas áreas de crítica e história da arte, atuando principalmente nos seguintes temas: arte e vanguarda no Brasil; o legado moderno e o problema da autonomia artística na arte contemporânea; relação entre visualidade e escrita nas artes; ideologia do espaço urbano.



#Autor: Paulo Sérgio Duarte, Sergio Martins, Rara Dias e Mari Taboada (Projeto gráfico)
#Páginas: 472
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2023

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