Em O ofício, uma novela em duas partes (Resmesló, ), o cultuado escritor russo Serguei Dovlátov (–) descreve com impagável (auto) ironia “as peripécias de seus manuscritos” — sua biografia literária — em dois momentos da vida: na URSS e nos EUA, após ter emigrado (). A primeira parte da novela, O livro invisível, escrita entre e , retrata as tentativas frustradas de publicação do jovem escritor na União Soviética, onde prevalecia uma burocracia ilógica e absurda. Também é descrita a talentosa geração de escritores dos anos de Leningrado (atual São Petersburgo) da qual fizeram parte Anatóli Náiman, Evguéni Rein, Joseph Brodsky e Vladímir Maramzin. Em O jornal invisível (/85), Dovlátov narra o início de sua vida nos EUA, os quiproquós de um jornal russo nova-iorquino, e o de seu reconhecimento escritor. A segunda parte do livro mostra, hilariamente, o estranhamento do refugiado soviético por entre os arranha-ceús de Nova Iorque, que “é a tal ponto medonha que atinge certa harmonia”. Se em Parque Cultural (ed. Kalinka, ), o autor-narrador hesita em partir de seu país natal, em O ofício o encontramos na América, que também não é poupada de seu “implacável espírito de observação”. Com uma forma concisa, fragmentada e metalinguística, O ofício, acontece na maior parte das obras de Dovlátov, é conduzido por uma narração em primeira pessoa, em que realidade e fantasia são continuamente confundidas, criando um universo artístico único.
#Autor: Dovlátov, Serguei; Russo Mountian, Daniela; Mountian, Daniela; Russo Mikaelyan, Yulia
#Páginas: 232
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2018