Há algo de estranho no relacionamento entre Sosuke e Oyone, o casal de meia-idade que protagoniza este O portal, de Natsume Soseki — publicado originalmente em , com êxito instantâneo. Eles vivem aquele período do casamento em que as fagulhas da paixão juvenil já não ardem outrora, embora ainda se mostrem afetuosos um com o outro. São, no entanto, solitários, resignados a uma espécie de clausura existencial em relação ao mundo, cujas razões o leitor terá de depreender das entrelinhas. Quando eles se veem praticamente forçados a dar abrigo ao irmão caçula de Sosuke, que as dificuldades no relacionamento familiar guardam máculas ainda mais delicadas e traumáticas. Sosuke e Oyone parecem ter no passado, um “pecado” que os tornou alvos da maledicência alheia. Se hoje tal deslize talvez não pareça tão grave, é preciso levar em conta o contexto em que a história foi escrita: o Japão do início do século XX, com seus valores conservadores inquebrantáveis. Muito a Machado de Assis, Soseki mostra aqui marcas de fato machadianas: metáforas, elipses e subentendidos, que hão de conduzir o leitor na das angústias que machucam a consciência dos protagonistas. Marco da maturidade literária de Soseki, O portal fecha uma trilogia ainda pelos romances Sanshiro () e E depois () — ambos publicados por este selo.
#Autor: Natsume Soseki, Fernando Garcia
#Páginas: 240
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2014