As narrativas presentes em “Ocaso – Contos de entreluz” soam pequenos pesadelos, rápidas cenas nas quais o leitor se intromete semelhante a uma mosca testemunhando um crime, instantâneos das sutilezas do cotidiano que insistimos em ignorar. Em entre elas, está algo que falta muito na literatura contemporânea, envolvida em exercícios estilísticos que mal escondem a superficialidade das relações e dos sentimentos atuais: o humanismo. No seu sentido clássico, o humanismo consiste em uma valorização não somente do homem, mas também da própria condição humana, caracterizando-se pela generosidade, pela e pela preocupação com a crescente animalização e brutalidade da sociedade. Ricardo Timm de Souza volta o seu olhar para as tragédias e pequenas que nos cercam e, se não nos concede perdão, ao menos demonstra e solidariedade, dando-nos a esperança de uma redenção ainda por vir. A literatura precisa de mais escritores humanos e menos humanos escritores, e a obra de Ricardo Timm está aí para nos provar aquilo que Walt Whitman colocou em verso: “camarada, isto não é um livro / quem toca nisto, toca num homem”. (texto de Gustavo Melo Czekster).
#Autor: Souza, Ricardo Timm de
#Páginas: 118
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2022