Livro Opus dei: arqueologia do ofício

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Nesta nova e provocativa obra, que integra o projeto Homo Sacer, o filósofo Giorgio Agamben volta sua arqueologia filosófica ao universo sacerdotal, ou seja, aos sujeitos a quem por assim dizer, o 'ministério do mistério'. Opus Dei, 'a obra de Deus', é a definição de liturgia, isto é, 'o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo [...]', de acordo com a tradição da Igreja Católica. O vocábulo 'liturgia' (do grego leitourgia, 'prestação pública') é, entretanto, relativamente moderno: antes de seu uso, era frequente o termo latino officium. Analisando o ofício divino e humano, o livro demonstra porque o mistério litúrgico é a chave para a modernidade forjou tanto a ética quanto a ontologia, tanto a política quanto a economia do nosso tempo.Em O reino e a glória, publicado pela Boitempo em , Agamben buscou esclarecer o 'mistério da economia'. Neste livro, ele faz a genealogia do mistério litúrgico desde as origens do cristianismo, procurando afastar seu objeto de estudo das imprecisões modernas, restituindo a seu estudo o rigor e o esplendor dos grandes tratados medievais de Amalário de Metz e Guilherme Durando, entre outros. Também desfaz o mito da separação com outras esferas da vida social: 'o mistério litúrgico é aqui indagado no âmbito da praxe terrena', indica o tradutor Daniel Arruda Nascimento, no texto de orelha.No trabalho inovador de Agamben, a liturgia se torna uma tentativa radical de pensar uma prática efetiva/efetual. Identificando o mistério da liturgia com o da efetividade/efetualidade, o filósofo revela o impacto dessa prática na gênese das categorias fundamentais da modernidade. A pesquisa de Agamben mostra o Opus Dei constituiu para a cultura secular do Ocidente um polo de atração penetrante e constante, atesta a difusão do termo 'ofício' nos setores mais diversos da sociedade. Para o filósofo, esse termo significou uma transformação decisiva das categorias da ontologia e da praxe. 'No ofício, ser e praxe, aquilo que o homem faz e aquilo que o homem é, entram em uma zona de indistinção, na qual o ser se resolve em seus efeitos práticos e, com uma perfeita circularidade, é aquilo que deve (ser) e deve (ser) aquilo que é', afirma Agamben na introdução ao livro. Nesse sentido, propõe que a operatividade e a efetualidade definem o paradigma ontológico que, no curso do processo secular, substituiu aquele da filosofia clássica. 'Em última análise, tanto do ser quanto do agir nós não temos hoje outra representação senão a efetualidade. Real é só o que é efetivo e, tal, governável e eficaz: a tal ponto o ofício, sob as vestes simples do funcionário ou gloriosas do sacerdote, mudou de alto a baixo tanto as regras da filosofia primeira as da ética.'Agamben não exclui a possibilidade de que hoje esse paradigma esteja atravessando uma crise decisiva e perdendo seu poder atrativo, apesar do assim chamado 'movimento litúrgico' na Igreja católica, por um lado, e das imponentes liturgias políticas dos regimes totalitários, por outro. ' a argumentação do filósofo italiano, em assédio ao influxo que permite que o dever se torne o conceito fundamental da ética por nós adotada, estaremos talvez em condições de pensar uma ética e uma política liberadas da dependência das categorias do dever e da vontade', conclui Nascimento.

#Autor: Giorgio Agamben, Daniel Arruda Nascimento
#Páginas: 144
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2013
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