Ao analisar dados sobre as disparidades entre brasileiros brancos e não brancos nas áreas de saúde, educação e assistência social, no final do século XX, fica claro que vastas desigualdades raciais existem no Brasil, contrariando afirmações oficiais, tradicionais no século XX em estudos sobre relações raciais, de que o país seria uma "democracia racial". Em Orfeu e o Poder, Michael G. Hanchard explora as implicações dessa desigualdade racial evidente, destacando as tentativas de ativistas e movimentos afro-brasileiros de mobilizar amplos setores da sociedade por direitos civis em contraposição aos esforços nada desprezíveis das elites brancas para neutralizar tais tentativas. Dentro de uma estrutura neogramsciana, Hanchard mostra a hegemonia racial no Brasil tem dificultado a identificação étnica e racial entre não brancos, promovendo tanto a discriminação as falsas premissas de igualdade. Com base em arquivos pessoais e entrevistas com participantes do movimento negro do Rio de Janeiro e de São Paulo, o autor apresenta uma riqueza de evidências empíricas sobre a militância afro-brasileira, sua eficácia com a de seus colegas da África Subsaariana, dos Estados Unidos e do Caribe no período pós-Segunda Guerra Mundial. Ele analisa em detalhes as extremas dificuldades dos ativistas afro-brasileiros de enfrentar, identificar e corrigir padrões racialmente específicos de violação e discriminação. Hanchard argumenta que a luta afro-americana para subverter formas e práticas culturais dominantes corre o risco de ser subsumida pelas contradições que essas formas dominantes produzem. Publicado originalmente em nos EUA e em no Brasil, o livro causou controvérsias, às quais o autor responde em um novo prefácio feito especialmente para esta nova edição, e que Paulo César Ramos, pesquisador do Cebrap, contextualiza e em seu Posfácio.
#Autor: Hanchard, Michael G.
#Páginas: 352
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025