Este livro de Juliana Portenoy Schlesinger, que transita entre os Estudos Judaicos, a Antropologia e os Estudos Culturais, propõe uma leitura poética e política mais do que bem-vinda e urgente.
Sayed Kashúa é um escritor árabe-israelense que escreve em hebraico sobre as identidades (subvertendo-as) e os estereótipos em torno do que é ser judeu, árabe, israelense, palestino, desvendando o jogo cotidiano entre a pessoas, os grupos e o Estado. Se o hebraico é para a população árabe-israelense-palestina a língua que identifica Israel Estado judaico e não multiétnico, o seu uso literário por um escritor árabe-israelense desafia, embaralha e dessacraliza os limites essencialistas das identidades e de qualquer ideia de pureza das línguas, dos povos, das nações e das pátrias.
Com uma pesquisa e um texto delicado e contundente, elaborados entre a Universidade de Jerusalém e a Universidade de São Paulo e escrito antes de outubro de , a autora ilumina um caminho por meio da literatura, mesmo em meio à profunda desumanização da guerra atual e da redução da das identidades a categorias absolutas e maniqueístas. Abordando uma literatura que desafia os rótulos simplistas, este livro permite acreditar que existe um futuro possível de reconhecimento mútuo e paz.
Roney Cytrynowicz é historiador e doutor em História pela USP.
#Autor: Juliana Portenoy Schlesinger
#Páginas: 278
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025