Quando o nome do norueguês Jon Fosse foi anunciado para receber o prêmio Nobel de literatura em , os leitores de outros idiomas o conheciam principalmente pela sua produção para o teatro, mas não demorou para que sua obra em prosa a aparecer nas vitrines em todo o mundo. Fosse, no entanto, é “poeta de ofício”, isto é, iniciou-se na escrita fazendo poemas, já na adolescência, e nunca abandonou os versos desde então, revelam os livros agora reunidos em Poemas em coletânea, que uma produção que se estende de até . Em todo esse período, com as tormentas próprias de uma obra visceral, os poemas de Fosse levam os leitores a experimentar um trânsito vertiginoso entre paisagem externa e vida interior, em que a peculiar geografia à sua volta — com suas cores intensas, dezenas de milhares de ilhas e lagos formando um mesmo território — se funde às imagens forjadas numa alma em que a contemplação namora o delírio. E há algo que torna ainda mais incrível o mergulho poético de Fosse: seus poemas sequer são escritos na língua em que a maioria de seus se expressa. O poeta escreve numa variante minoritária do norueguês, nynorsk, em busca de um “frescor e clareza” que, para ele, a língua “usada e usada e usada” acaba perdendo. Este foi mais um dos desafios que a poesia de Fosse ofereceu a seu premiado tradutor brasileiro, Leonardo Pinto Silva, também responsável pela versão brasileira dos romances Brancura e A casa de barcos, publicados pela Fósforo. Para os leitores que já o admiram por seus romances, ler a poesia de Jon Fosse é, sem dúvida, uma forma ainda mais viva e inquietante de entrar nesse universo extraordinário em que “sempre há coisas demais para esquecer”, mas sobre a terra, nas águas, no peito, bate “um vento com o qual o coração ainda pode se contentar”.
#Autor: Jon Fosse
#Páginas: 472
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2024