Neste livro, o leitor habituado a identificar a trajetória da moderna poesia com a contínua e infindável história de seu declínio poderá entender um pouco melhor a particularidade do tema e da estrutura da “crise”. Reivindicada em tom desiludido ou reciclada estratégia de entusiasmo renovador, a crise é um dos elementos fundantes da experiência moderna. A despeito do atalho crítico que pretende denunciar “contradição” o paradoxo formalizado pelo poema, interessa ao autor reconhecer que otopos da crise um modo de entendimento do real que toma forma historicamente singular dentro do discurso poético e que tem um papel, por assim dizer, fundador. Profanadora e “sacrificial”, distante do lugar nefelibata a que é submetida por alguns discursos das ciências humanas, a poesia nomeia o desajuste sem fugir de suas contradições, ao contrário, fazendo dessas contradições ao mesmo tempo o elemento no qual se realiza e no qual naufraga tal nomeação. Se há um heroísmo moderno, este não é meramente nostálgico, ou messiânico, tampouco simplesmente programático, dialético ou experimental.
#Autor: Marcos Siscar
#Páginas: 360
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2011