Podemos imaginar esses textos proferidos em voz alta pela autora, sentada em um canto na Piazza Navona, oscilando o tom de acordo com a gravidade do assunto, do peso das palavras. Ela não grita – fala, apenas –, e os transeuntes se detêm, curiosos, ao escutarem sentenças definitivas «a arte é o contrário da desintegração». Aproximam-se para ouvir o que vem depois: «porque a razão da arte é impedir a desintegração da consciência humana, em seu cotidiano desgastante e uso alienante com o mundo; é restituir-lhe, continuamente, a realidade». Enfim permitem-se ficar, sentam-se ao seu lado para ouvir a própria história de seu mundo enquanto a mudança da luz, «uma testemunha visível, que não é uma substância terrestre, mas uma qualidade característica do céu». Elsa Morante apresenta nesses ensaios o seu olhar inconfundível que origina devaneios e convicções sobre temas tanto – aparentemente – simplórios, a sua piazza, quanto polêmicos, a bomba atômica. Se o do artista é com a realidade, nada basta e nada deve escapar. Contemos com Morante, com o seu olhar implacável e para treinarmos o nosso olhar.
#Autor: Morante, Elsa
#Páginas: 156
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2021