Numa época a nossa, em que escutar as diferenças tem sido particularmente difícil, Hilza Ferri tem a ousada proposta de fazer dialogar campos discursivos que, apesar de terem seus pontos de interseção, também distanciam-se bastante no modo de abordagem disso que O livro parte de uma premissa importante: o fato de que tanto a psicanálise o feminismo negro debruçam-se sobre algo que excede a normatividade fálica, aquela que Lacan chamou de norme-male, neologismo que na língua francesa equivoca o normal com a “norma-macho”. De fato, estamos diante de algo que não se submete à drenagem operada pelo significante fálico, aquele que inscreve o impossível falta na cadeia simbólica. Pois bem, partindo desse mínimo em ou seja, o fato de identificarem na mulher, no negro (mas também, no nordestino, na LGBTQIA+, entre outros) os avatares disso que historicamente ocupa um lugar de rechaço na cultura por não se encaixarem na ortopedia do gozo fálico, teriam a psicanálise e o discurso feminista negro algo em no modo de abordagem dos sujeitos que encarnam essas identidades? Penso que é esta a questão fundamental que o livro de Hilza tenta responder.
#Autor: Ferri, Hilza
#Páginas: 128
#Encadernação: Brochura
#Ano: 2025