Livro Reviravolta de Gaia

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Em e , o coletivo Floresta de cristal, concebido pela artista Rivane Neuenschwander em colaboração com a cineasta Mariana Lacerda, participou de nove manifestações públicas na cidade de São Paulo para, através de uma performance política, reivindicar os direitos da natureza e denunciar o risco de uma ruptura democrática naquele momento político crítico do país. Para alertar sobre a urgência do problema climático, criaram e vestiram-se de plantas, fungos e animais, com roupas, máscaras e cabeças. No texto de apresentação, as autoras escrevem: “Através de nossa pequena floresta andando pela cidade de São Paulo, acabamos por documentar aquele que foi um dos anos mais tensos da trajetória política do país, onde a possível reeleição do candidato de extrema-direita implicaria em um aprofundamento da tragédia humanitária e na destruição de políticas socioambientais no país.”

O livro Reviravolta de Gaia traz 132 imagens fotográficas dos personagens criados, em meio as manifestações de rua, assim duas entrevistas, uma com o filósofo camaronês Achille Mbembe e outra com o pesquisador João Paulo Lima Barreto Tukano. A obra conta também com ensaios escritos por Lisette Lagnado, Coletivo Centelha, Déborah Danowski, Peter Pál Pelbart e Inês Grosso, sobre arte, performance e a disputa política vivida no Brasil naquele momento e sobre a urgência de se discutir os efeitos das mudanças climáticas que vem afetando a natureza e a sociedade, no Brasil e no mundo. A edição é organizada a partir das manifestações, cronologicamente e por ato, e apresenta verbetes escritos pela pesquisadora e professora Sabrina Sedlmayer sobre os temas abordados e os dizeres dos cartazes levados às ruas, funcionando um guia para a maior do debate. Alguns verbetes são: Cosmovisões, Hidra Capitalista, Inferno verde-oliva, Rios voadores, Simbiogênese.

Trecho

“Embora tentem nos fazer desacreditar, muitas terras, muitos mundos nunca pararam de se levantar. Ora, toda terra tem um povo, e todo povo, inclusive um povo nômade, precisa de uma terra, o que é muito diferente de precisar ser seu dono, cercá-la e tê-la único proprietário. A própria terra, afinal, o solo, é feita de uma multiplicidade de povos: insetos, fungos, bactérias, vírus, plantas; aves, mamíferos, e também de humanos. Há almas em todo canto, e por isso levante se diz no plural: levantes. A terra preta dos índios é em si mesma um levante, ou muitos levantes. As sementes crioulas são levantes. As baixas tecnologias são levantes.” Déborah Danowski

Sobre as artistas e autoras

Rivane Neuenschwander nasceu em em Belo Horizonte (MG). Desde os anos , elege material de sua produção elementos das trocas sociais, das lembranças ou do consumo. Em suas instalações, Neuenschwander traduz o caráter inte dos sistemas vivos. Em desenhos, pinturas, tapeçarias e vídeos, a artista opera o cruzamento de seu repertório plástico com a ciência, a história e a psicologia, a linguística e a literatura, de modo a articular assuntos prementes da política contemporânea. Acoplando a ação e a presença de corpos humanos e inumanos que participam da elaboração formal a substratos conceituais, a obra de Rivane inclui os grupos que levaram à forma que os trabalhos adquirem. O outro é sempre pressuposto na estrutura e na execução dos trabalhos, e o cuidado com a forma implica sempre o cuidado com o público. Entre suas exposições individuais recentes estão Sementes Selvagens, Museu de Serralves, Porto, Portugal (); Knife does not cut fire, Kunstmuseum Liechtenstein, Vaduz, Liechtenstein (); Rivane Neuenschwander, East Tank, Tate Modern, Londres, Reino Unido ().

Mariana Lacerda é documentarista. Lançou seu primeiro longa-metragem nas salas de cinema em . Gyuri traça uma linha entre a segunda guerra mundial e a demarcação da Terra Indígena Yanomami, ao narrar a história de Claudia Andujar e seu encontro com o xamã Davi Kopenawa. Dirigiu também a série Histórias de Fantasmas Verdadeiros para Crianças (CineBrasilTv, ainda inédita) sobre os temas infância e ditadura militar. Desenvolve, ao lado de Glicéria Tupinambá e Patricia Cornils, filme sobre a Terra Indígena Tupinambá, no sul da Bahia. Dirigiu, ao lado de Neuenschwander, o filme Eu sou uma arara, exibido na Fundação Serralves, em Portugal, documentário que, através da floresta, levou a pauta ambiental às ruas nos atos públicos que antecederam as eleições de . Atualmente, finaliza o filme de longa-metragem Mapear Mundos, feito em colaboração com o Instituto Socioambiental (Isa). Entre novembro de e abril de será bolsista do Research Institute for Sustainability (IASS, Postdam, na Alemanha), para desenvolvimento do roteiro de longa metragem intitulado Jararaca. O trabalho vem sendo realizado em diálogo com o Instituto Socioambiental e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, na Amazonia, onde a pesquisa se realiza.



#Autor: Rivane Neuenschwander, Mariana Lacerda, Joana Amador (Projeto gráfico)
#Páginas: 240
#Encadernação: Capa Dura
#Ano: 2023

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